Livros Livres na Praça do SESI Boqueirão, Curitiba/PR

1.1.14


Aproveitamos o 1º de Janeiro de 2014 para fazer uma ação de livros livres na Praça General Florimar Campelo, no bairro Boqueirão em Curitiba, dando continuidade à iniciativa voluntária de incentivo à leitura que iniciamos no mês passado. Leia mais sobre a ação Livros Livres no Boqueirão nesses links:


A praça visitada fica em frente ao SESI Boqueirão, apenas 3 quadras pra cima da Av. Marechal Floriano Peixoto na região próxima ao Terminal do Boqueirão. 



Deixar livros livres é uma oportunidade de olhar para o bairro onde moramos a partir de uma nova perspectiva e assim fazer um aprofundado exercício de observação. Além de deixar livros livres para que as pessoas possam encontrá-los espontaneamente, a ideia é achar locais na vizinhança onde se possa praticar a leitura ao ar livre ou localizar praças e espaços públicos que tenham potencial para que a leitura possa ser vivida, onde as pessoas possam se encontrar e confraternizar pela cultura ou simplesmente ler com tranquilidade. E esse foi o cenário que encontramos:

Praça General Florimar Campelo, mais uma praça que está abandonada no bairro Boqueirão em Curitiba. No meio de um dos campos de areia alguém escreveu com um graveto: "Cuidado onde pisa".

A ideia era deixar 12 livros nessa praça mas não não havia lugar para deixá-los. Os bancos de concreto sem encosto, estavam sujos, pichados e no meio do mato. Não havia circulação de pessoas, e com o mato, não dava para enxergar os livros de longe. Essa praça infelizmente é um lugar muito deprimente, assim como a Praça do Terminal do Boqueirão, sofre com o descaso e o abandono. No chão encontramos seringas, muitas caixas de remédios, cacos de vidros de garrafas e de louças espalhados em todas as áreas de gramado e dos campos de areia por onde caminhamos, latas e garrafas de bebidas alcoólicas, fezes de animais e de humanos, restos de comida, destroços de móveis, muito lixo espalhado por todos os cantos, muitos mocós embaixo das árvores e vestígios de uso de drogas, além de restos de fogos de artifício. Nos cantos entre a rua e as árvores, a praça já tem jeito de lixão. Enfim, nessa praça tem de tudo, menos coisas que lembrem que aquele é um espaço de lazer. Definitivamente não é um lugar para passeio, descontração, vida ao ar livre e leitura. Para que isso aconteça esse ambiente precisa ser melhorado.
Assim como na Praça do Terminal do Boqueirão, as árvores da Praça General Florimar Campelo são usadas como mocó para consumo de drogas.

O que mais impressiona é que a praça é enorme e bonita, tem uma vista incrível da Serra do Mar, mas está abandonada e depredada. Ela tem dimensões com potencial para diversos tipos de atividades de cultura e lazer gratuitas no bairro, para que os moradores possam aproveitar esse espaço sem se deslocar para outras regiões. Mas atualmente ela não é uma opção, serve apenas para o vandalismo e o consumo de drogas.


Logo que deixamos esse livro do Aristóteles duas moças se aproximaram, sentaram ao lado do livro e pegaram ele para ler. É maravilhoso poder ver o livro ser encontrado no mesmo momento em que o libertamos. Se a praça fosse melhor cuidada, seria frequentada por mais pessoas com objetivos bem diferentes do que o consumo de drogas e poderíamos libertar mais livros e incentivar a leitura por aqui, no bairro onde moramos, como fazem projetos que admiramos de outros cantos do Brasil, como a Contação da Rua e o Piquenique da Leitura.


Na praça de grandes dimensões existe dois campos de areia, e apenas três brinquedos: uma gangorra, um labirinto e um escorregador.

Algumas melhorias poderiam aumentar a capacidade dessa praça para ser um local que beneficiaria muitas pessoas no Boqueirão nas áreas do lazer, do esporte e da cultura. Há espaço suficiente inclusive para uma biblioteca pública. Por quê não? O bairro é merecedor de uma biblioteca pública atuante e convidativa aos moradores.
No Hospício de Rocha Pombo, A Política de Aristóteles e Haydn (Coleção Crianças Famosas) foram os exemplares que deixamos livres.

Cortar o mato, promover a segurança, incentivar os moradores a preservar a praça, dar condições para que as crianças e adolescentes tenham um local para praticar atividades físicas, oferecer oportunidades culturais para todas as idades no bairro é um caminho. Faz muita falta locais próximos de casa que sejam ponto de encontro, de partilha de livros e que agreguem as pessoas em atividades culturais.

A Praça General Florimar Campelo fica bem em frente ao SESI Boqueirão

Leia mais:


Texto e fotos: Daniele Carneiro e Juliano Rocha
contato@bibliotecasdobrasil.com

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