Histórias de vida contadas em uma cena por Pascal Campion

Existem ilustrações que nos levam a lugares confortáveis e que causam uma sensação de aconchego ao serem apreciados.

A arte de contar histórias

Dicas e uma bibliografia para quem quer entrar nesse mundo da contação de histórias.

Comece 2015 com a Cartonera Bibliotecas do Brasil

Se dê um presente diferente, independente, artístico e artesanal nesse começo de ano. Compre um livro único e ajude o blog.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Bibliotecas do Brasil Inbox #45 - Os tablets são nossos grandes aliados na leitura


"Como os tablets se tornaram meus grandes aliados na leitura" por Daniele Carneiro
Na edição #45 da newsletter para reforçar ainda mais a importância dos tablets e e-books em nossas vidas de leitores, e unir às ideias partilhadas pelo Juliano em seu  texto A importância dos E-books na formação de leitores da edição #42, conto todos os usos que fazemos dos tablets, como eles são importantes para as nossas leituras, para o desenvolvimento das newsletters e do blog Bibliotecas do Brasil, e diversas outras atividades que realizamos com eles. Se você se interessa por tablets, terá em nossos textos uma boa visualização do que pode ser feito com eles. Eu faço uma reflexão sobre como a resistência e hostilidade que temos diante das tecnologias, muitas vezes são baseadas em experiências ruins de terceiros, que não têm uma consciência ou orientação de como fazer uma boa utilização dos eletrônicos. Eu conto vários detalhes sobre como a tecnologia ofertada pelos tablets e pelos smartphones só têm nos ajudado e facilitado as nossas vidas, principalmente na dinâmica e correria do dia a dia. O texto é bem detalhado sobre as minhas atividades realizadas com os tablets e sobre as vantagens de se ter sempre à mão um desses incríveis dispositivos para leitura, para trabalhos que precisamos realizar, ou demais ações conforme o nosso gosto pessoal, hobbies e assuntos favoritos.

E mais:
Nessa edição temos os posts mais procurados e lidos da semana, os eventos culturais, literários e de arte mais interessantes quem encontramos para divulgar. Quem quiser divulgar eventos literários de qualquer canto do Brasil, pode entrar em contato conosco através do e-mail contato@bibliotecasdobrasil.com ou pelo Facebook. Os eventos devem ser obrigatoriamente catraca livre (gratuitos) ou a entrada deve custar menos de R$10,00. Envie o nome do evento/projeto, horário e data da realização, localização, público alvo, endereço, email, telefones para contato, quanto mais informações, melhor.

O que são a Bibliotecas do Brasil Inbox e a Bibliotecas do Brasil Expresso?

Toda semana, às quartas-feiras enviamos um e-mail com conteúdo novo e exclusivo para assinantes sobre o mundo das bibliotecas livres, iniciativas de incentivo à leitura e o mundo cultural. Sempre com uma visão pessoal do que encontramos pelo caminho ao divulgar e conhecer essas pessoas que estão mudando o mundo, uma biblioteca livre de cada vez. Assine gratuitamente nesse link e já receba de brinde todas as edições que enviamos até agora:

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Texto: Daniele Carneiro - contato@bibliotecasdobrasil.com
Foto: Juliano Rocha

sexta-feira, 27 de março de 2015

Histórias de vida contadas em uma cena por Pascal Campion


Existem ilustrações que nos levam a lugares confortáveis, que causam uma sensação de aconchego ao serem apreciados, são como antidepressivos visuais e podem elevar a alma de quem os vê. E é nessa categoria que entram as ilustrações  do artista Pascal Campion. 

Os momentos doces da vida de casais, leituras em dias chuvosos, passeios pela praia e outros momentos que guardamos nos cantos mais gostosos de nossas memórias populam seus traços leves e lembram as animações da empresa UPA dos anos 1950 misturadas com as cores da Disney durante a mesma época. Campion possui uma profunda compreensão das emoções humanas e consegue evocá-las com uma grande intensidade em uma única cena, criando toda uma história que podemos descobrir ao percorrer os detalhes de suas obras.

Escolhemos algumas obras desse artista franco-americano, que atualmente vive em São Francisco com a esposa e seus filhos onde faz ilustrações para diversas empresas de animação, jogos eletrônicos e para o cinema. Caso goste do trabalho do artista, você pode comprar versões impressas em alta qualidade de seus trabalhos aqui. Pascal Campion faz uma ilustração por dia e posta em sua página pessoal, além de ser bem ativo nas redes sociais, visite o site do artista para conhecer suas muitas outras criações.

No blog Bibliotecas do Brasil nós sempre incentivamos a compra de arte direto do artista, para estimular seu trabalho e ao mesmo tempo mostrar que é possível adquirir arte original. Existem obras de arte para todos os bolsos e gostos, e comprando direto de quem produz você permite que o artista viva de suas criações e possa dedicar-se a estudar, aprofundar-se em seu ofício e produzir cada vez mais sem a necessidade de interromper seu processo criativo para trabalhar em outra área que providencie seu sustento.   








No vídeo abaixo é exibido o processo de criação de Pascal Campion e ele explica o que o motiva a desenhar diariamente e como ele vê o mundo:

Texto: Juliano Rocha - contato@bibliotecasdobrasil.com
Artes: Pascal Campion

Leia mais:

quinta-feira, 19 de março de 2015

A arte de contar histórias


“O mundo continua prenhe de histórias.
Há que contá-las.
Há que ouvi-las.
Uma história pode mudar uma vida.
Um povo sem histórias, definha...”
- Affonso Romano de Sant'Anna, Ler o Mundo

Ouvir e contar histórias é sem dúvida uma das melhores coisas da vida. É inegável que crianças e adultos se encantam com uma história bem contada, seja ela retirada de um livro de histórias ou uma narrativa pessoal de um fato.
A arte de contar histórias é um ato milenar, que reúne pessoas em torno de mensagens, conhecimento e informação desde o tempo onde apenas a oralidade era possível. As histórias aproximam pessoas, desvendam mistérios, compartilham aventuras, medos, angústias e finais felizes. Quando nos reunimos em torno de uma história e seu narrador, compartilhamos sentimentos, nos tornamos sensíveis aos sonhos alheios, e dividimos não apenas um espaço, mas as imagens, os pensamentos e as emoções.
Essa introdução confirma muitas das vantagens e a importância da "contação de histórias" nos espaços de educação formal e não formal, e que tem como objetivo desenvolver ou incentivar o gosto pela leitura. Vamos salientar e reforçar essa importância através de algumas reflexões.

- Quando contar histórias?
Sempre que quisermos mexer com a imaginação e com os sentimentos de um grupo, podemos contar histórias para aproximar o livro do leitor, divulgar as narrativas escritas de nossa biblioteca ou do nosso espaço de leitura. Na escola podemos contar histórias para abordar um assunto específico, mas nesse caso todo cuidado é pouco, essa prática não pode se tornar didática demais e causar enfado nos ouvintes ou tirar o prazer da atividade. Podemos contar histórias quando queremos tornar sensível um grupo, aproximar pessoas com um mesmo objetivo, ou que frequentem um mesmo espaço, pois através das histórias as pessoas se identificam e se abrem para ouvir e compartilhar particularidades.
As histórias podem ser contadas como atenuantes de uma dor, de um sofrimento ou de um momento triste. Elas são um bálsamo para os sentimentos mais profundos das pessoas que estão em situação de risco e têm o poder de amenizar a realidade.
As histórias são sempre um momento de prazer, de lazer, de introspecção, de reflexão e por isso é muito importante que os objetivos na hora da contação estejam claros. O contador de histórias precisa ter sempre em mente o que pretende e quais passos irá seguir para a realização de seus objetivos. O planejamento nesse caso é fundamental.

- Onde contar histórias?
O local é importante pois a atenção deve ser dedicada exclusivamente ao contador e sua narrativa. O local deve ser aconchegante, arejado e limpo, que acolha o ouvinte e transporte-o para o mundo da história, para um cenário particular que será criado a partir da voz do narrador. A imaginação é poderosa e deixar que ela flua livremente é imprescindível. Por isso quando nos deparamos com um contador de histórias e um grupo de ouvintes ao seu redor é comum vermos olhinhos faiscantes e as mais variadas expressões cravadas em suas faces.

- Quem pode contar histórias?
Qualquer pessoa pode contar histórias desde que goste de ler, tenha uma boa dicção, goste de inovar, não tenha medo de errar e tenha sempre em mente que suas palavras terão uma importância enorme, darão vida aos pensamentos de um autor e poderão motivar mudanças significativas tanto para crianças quanto para adultos.
As palavras tornam-se poderosas quando saem dos lábios de um contador, esses maravilhosos profissionais que não medem esforços para dar sentido a uma narrativa. E para que isso aconteça, a pessoa interessada em contação de histórias tem que estar preparada, estudar muito, conhecer seu público, acreditar naquilo que está contando, aprimorar-se constantemente através de cursos, oficinas e da observação de outros profissionais da área que atuam nos mais diferentes espaços. É preciso muita leitura, pesquisa e principalmente a prática, pois a cada vez que contamos uma história nos tornamos mais "donos" dela e fazemos com que ela seja melhor absorvida pelos ouvintes.
Cada um, depois que tiver claro o que deseja do ato de contar histórias, vai criar o seu perfil, vai desenvolver o seu jeitinho, e irá encantar de uma maneira só sua. Deixo aqui algumas dicas para quem pretende se aprofundar no tema e desenvolver essa atividade em seu espaço de leitura, em sua escola, em seu grupo, associação, comunidade, etc. A arte de contar histórias tem uma vasta bibliografia e existem diversos cursos oferecidos por profissionais da área, instituições particulares, organizações não governamentais e instituições públicas a fim de formar um número cada vez maior de contadores de história e disseminadores da leitura. Aqui vão alguns títulos, mas é só uma pequena amostra do vasto material que você poderá encontrar na rede. Boas leituras, boas pesquisas e boas histórias!

Livros para se aprofundar na arte de contar histórias:

Jacqueline Machado Carteri é pedagoga e trabalha com projetos de incentivo à leitura há 15 anos. Além de já ter coordenado espaços de leitura, é frequentadora assídua de bibliotecas públicas e espaços culturais. Aficionada por leitura, Jacqueline criou a página Capitu Lê que hoje é seu maior meio de comunicação com o mundo da leitura. Jacqueline trabalha com contação de histórias desde 2001 nos espaços de leitura e nas escolas públicas de Araucária/PR.





Edição do texto: Daniele Carneiro - Bibliotecas do Brasil - Creative Commons
Arte: Juliano Rocha com gráficos de Numizmat

Bibliotecas do Brasil Expresso #02


Nessa semana temos todos esses temas na Bibliotecas do Brasil Expresso:

Restauro de livros do Tsunami • Ranços e avanços da biblioteca escolar • Exposição Blink • Vertical Forest • Documentário Pixo! • Uma defesa de Paulo Freire • Em boca fechada não entra racismo • Entrevista do Renato Russo contra a volta de um governo militar • Stand-up feminista de Aziz Ansari • Bibliotecas do Brasil lido na Espanha

Além da agenda cultural e as novidades que aconteceram conosco essa semana, não perca tempo e assine agora para receber semanalmente informações, análises e textos inéditos em seu e-mail. É gratuito e rápido, apenas complete o formulário abaixo e você já receberá todas as edições que enviamos até hoje.

O que é a Bibliotecas do Brasil Expresso?

Uma versão mais rápida e diversificada da nossa newsletter Bibliotecas do Brasil Inbox. Agora, em uma semana você receberá a Inbox que já se acostumou - porém com nossos textos inéditos - e na outra semana receberá a Expresso, com links que gostamos pela internet, vídeos que adoramos e queremos que você também assista, dicas de livros e filmes que chamaram nossa atenção.

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Texto e arte: Juliano Rocha
contato@bibliotecasdobrasil.com

quinta-feira, 12 de março de 2015

Bibliotecas do Brasil Inbox #44 - Como se aprofundar em História diariamente


A edição #44 da Bibliotecas do Brasil Inbox é voltada para esse saber único, que cada um de nós vai adquirindo ao longo da vida, e a forma como somos capazes de partilhá-lo com as pessoas e passá-lo adiante. No texto do Juliano ele nos mostra um cenário muito vivo de como é possível, mesmo na correria e dificuldades dos dias, uma pessoa que ama História – e aqui poderia ser qualquer campo de conhecimento – em seu cotidiano aprender cada vez mais através da leitura de livros de papel e de e-books e também através de podcasts, e dessa forma nunca parar de se alimentar de conhecimento. Com o uso da internet, dos e-books e dos podcasts, através do relato e das aulas de professores experientes, historiadores apaixonados e especialistas nos temas hoje é possível ouvirmos aulas de universidades como Berkeley da Califórnia, King's College de Londres, Brown University da Ivy League e outras. Mas não se sinta sobrecarregada(o), o texto do Juliano nos mostra como a aquisição de cultura histórica é fonte de constante lazer e satisfação.
Trazemos nessa edição a experiência da pedagoga e criadora da página Capitu Lê, Jacqueline Carteri sobre o tema acessibilidade em bibliotecas. É um tema que há muito tempo queríamos abordar no blog Bibliotecas do Brasil, que foi analisado e elaborado em um artigo pela Jacqueline de forma bastante instrutiva e pessoal. O texto foi escrito por quem sofre em sua rotina a falta de acessibilidade em bibliotecas, espaços culturais e museus, e também precisa enfrentar a insensibilidade de um grande número de pessoas e instituições. Vale a leitura para nos sensibilizarmos para a questão da acessibilidade e nos tornarmos cada vez mais atuantes nesse campo. Estamos felizes com a colaboração da Jac para o enriquecimento de conteúdo e temas no blog. Esse é o primeiro artigo que trouxemos de muitos temas que achamos interessantes e que iremos abordar ao longo do ano na visão de pessoas que estão mais diretamente ligadas aos assuntos.
Um incrível projeto que precisa ser visto, conhecido e admirado e que está presente nessa edição é a Livraria de Mulheres, uma campanha de crowdfunding que está acontecendo na cidade de Porto em Portugal. É imprescindível que a gente conheça, entenda e passe a debater assuntos relacionados ao universo das mulheres, se tiver um tempinho no final de semana, acesse o artigo, clique nos links, visite o blog da Livraria de Mulheres - e leia, leia, leia! - pois é um projeto marcante e que nós gostaríamos de ver algo parecido também sendo realizado aqui no Brasil.

O que são a Bibliotecas do Brasil Inbox e a Bibliotecas do Brasil Expresso?

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Texto: Dani Carneiro - contato@bibliotecasdobrasil.com
Arte: Juliano Rocha sobre foto de David Sun

7 conselhos de vida por Jack Kerouac

O autor de On the Road: Pé na Estrada conseguia colocar nos seus livros - em meio ao relato de suas viagens, aventuras e loucuras cruzando os Estados Unidos - lições que podem ser utilizadas na vida de muitas pessoas. São pérolas de sabedoria, simples no estilo, com poucas palavras, mas que possuem um profundo significado. É preciso ler Jack Kerouac para localizar sua identificação particular com algum dos aspectos de sua múltipla e viva filosofia.
Em seus Diários ele revela muito de si mesmo, e dos amigos que frequentavam seu universo, seus pensamentos sobre eles, as pressões da sociedade sobre suas costas, o mal estar por não ter emprego e não ter identificação nenhuma com o sistema que obriga as pessoas a trabalharem em atividades que não entendem e não gostam, mas serem obrigadas a fazer isso por causa da necessidade do dinheiro, o seu constante medo de fracassar, o fantasma da pobreza, sua vontade enorme de largar tudo e viajar o mundo, e o seu enorme amor pela humanidade.

Confira algumas citações de Jack Kerouac abaixo:
Nenhum homem deveria passar pela vida sem ao menos uma vez experimentar a saudável, e até chata solidão na natureza, encontrar-se dependendo apenas de si mesmo e assim aprender a sua verdadeira força interior. Aprender por exemplo, comer quando está com fome e dormir quando está com sono. - O Viajante Solitário
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Nada atrás de mim, tudo à minha frente, como sempre acontece na estrada. - On the Road: Pé na Estrada
•••
A melhor professora é a experiência e não a opinião distorcida de alguém. - On the Road: Pé na Estrada
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Maldito aquele que pensa e pensa mas nunca está feliz em seus pensamentos, que nunca pode dizer - Aqui estou eu, pensando. - Diários de Jack Kerouac 
•••

Tudo o que eu quero desse livro é um meio de vida, dinheiro suficiente para viver, comprar uma fazenda e um pedaço de terra, trabalhar nela, escrever um pouco mais, viajar um pouco mais, e por aí vai. - Diários de Jack Kerouac 

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Prometo que nunca vou desistir, e que morrerei gritando e rindo. - Diários de Jack Kerouac 
•••
Isso é o que eles fazem, sorrindo pensam em mim, mesmo quando passo invernos longos, de solidão e luta para ficar implacável, silencioso, majestoso. - Diários de Jack Kerouac
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Não use o telefone.
As pessoas nunca estão prontas para responder.
•••

Texto: Juliano Rocha e Dani Carneiro
Arte: Juliano Rocha sobre foto de Tom Palumbo.
contato@bibliotecasdobrasil.com

Leia mais:

Confraria Vermelha – Livraria de Mulheres

De vez em quando ao passear pela internet em busca de notícias interessantes eu encontro projetos especiais, diferentes e completamente inspiradores. Dessa vez a iniciativa que me encantou é uma campanha de crowdfunding que está sendo realizada no Porto em Portugal. Nós já mostramos aqui no blog diversas iniciativas interessantes do país, entre elas uma biblioteca livre muito querida, uma biblioteca itinerante, uma feira do livro que deu o que falar e muitas outras ações - para ler sobre cada uma delas navegue pela tag "Portugal". Agora, conheça a Confraria Vermelha, uma livraria de mulheres, uma iniciativa de Aida Suarez, um projeto incrível que também irá inspirar mulheres e livrarias brasileiras. Vamos torcer para que a iniciativa consiga alcançar o valor necessário para o financiamento de tão relevante projeto.

Num dos posts da Confraria Vermelha no Facebook a seguinte frase prendeu minha atenção:

"Se és como a Susan Sontag, que ri quando lhe dizem que se continuar a ler tanto não vai casar, vais gostar deste projecto. Sim, quando o padrasto lhe disse isso, Susan deu uma gargalhada, pois nem sequer cogitou casar com alguém que não gostasse de livros. Se gostas de livros esta é a tua livraria".

Campanha de Crowdfunding - Livraria de Mulheres - texto do site PPL - Crowdfunding Portugal

O objectivo desta campanha é poder abrir um espaço no Porto de livros e partilha e o que melhor do que uma Livraria de Mulheres?! Um lugar onde cada uma possa encontrar os seus livros favoritos, as suas autoras preferidas e mil actividades para fazer sozinha ou em companhia.
Nos últimos anos quando viajo procuro saber se há alguma livraria de mulheres e coloco-a na lista dos lugares a visitar. Não é apenas por uma questão de livros é também por uma questão de “espaço”. As livrarias de mulheres são um lugar de encontro, um lugar para conversar calmamente sobre livros, actualidade… onde te podes juntar a uma oficina, a uma projecção… um lugar onde encontras livros que falam de igualdade, de conquistas, de lutas, de sexualidades, de violências, de maternidades, de arte, de poesia… de vida.

Porquê uma livraria de Mulheres?


A literatura é um espaço predominantemente branco, masculino e hétero. As listas de leitura obrigatória das escolas e de livros premiados são uma amostra de como mulheres escritoras são desvalorizadas pelas editoras e às vezes pelxs próprixs leitorxs. Queres que as mulheres sejam (mais) lidas. Eu também!
Uma Livraria de Mulheres recolhe um fundo bibliográfico muito importante, impossível de encontrar em outras livrarias generalistas. Numa Livraria de Mulheres podemos encontrar tudo o que se tem escrito por e sobre mulheres. O objectivo desta campanha é poder abrir "Um quarto próprio"(uma livraria), como sugeriu Virgínia Woolf, onde podemos caber todas. Onde cada uma possa encontrar os seus livros favoritos, as suas autoras preferidas e mil actividades para fazer sozinha ou em companhia.

Aida Suarez conta sua história e sua relação com os livros
Sempre amei os livros e sempre sonhei em ter uma livraria (e um cinema também). Ainda criança sonhava em estar no balcão de uma livraria daquelas que cheiram como deve de ser a livros, a histórias e a palavras e não a ambientador e desinfectante de grande superfície. Sonhava em passar os meus dias num espaço onde celebrar o dia do livro, o dia da Mulher, onde organizar sessões de contos e clubes de leitura. Apresentações de livros, concertos e projecções de filmes (assim também tenho o meu sonho de ter um cinema concretizado).


Enfim sonhava com um espaço onde as pessoas pudessem ir para sair por instantes da sua rotina diária e ver, ler e ouvir tudo aquilo que o mundo tem reservado para elas. Em 2010 este sonho começou a causar-me formigueiro (este é o primeiro sintoma dos sonhos que se querem tornar realidade) após ter visitado pela primeira vez a Livraria de Mulheres de Madrid (e em 2009 a de Barcelona) e ter conhecido as bravas livreiras que lhe dão vida. Foi nessa visita que visualizei pela primeira vez em 3D este sonho. E eu que pensava que era um velho sonho da infância que tinha ficado esquecido! “Os sonhos não têm data de válida ‘respira’ fundo e continua” - repete minha vozinha interna, vocês também têm uma certo?!"
O formigueiro aos poucos começou a se transformar em fortaleza para seguir caminho e lutar por aquilo em que acredito. Ou seja, acredito que uma livraria de mulheres é um espaço de encontro e não é uma utopia… e que as relações de sororidade são pura cumplicidade que ultrapassa qualquer obstáculo. E com estas palavras-chaves encontradas (as que destaquei a negrito para que vocês as reconheçam também!) começo esta campanha que sei que estará cheia de dificuldades mas também cheia de pessoas (especialmente mulheres) que me apoiaram firme e amorosamente -“Se não há ternura não é a minha revolução”-… e por isso estou aqui… porque acredito que os sonhos partilhados se transformam mais rápido em realidade e como que um gesto de liberdade nasce de mim para todas vocês: A Campanha “Confraria Vermelha – Livraria de Mulheres”.

Que livros podemos encontrar na Confraria Vermelha -Livraria de Mulheres do Porto? 

Nas estantes da Confraria Vermelha – Livraria de Mulheres vão encontrar literatura especializada escrita por/para mulheres, biografias, ensaios feministas (em diversas áreas e disciplinas: ciências, antropologia, sociologia, história, educação, saúde, filosofia, erotismo, etc.) temática LGTBI, teoria Queer, literatura infantil não sexista, arte, romance, poesia, BD …

E para além dos livros que mais podemos encontrar? 

Uma livraria de mulheres conta, naturalmente, com livros mas também com um espaço aberto para diversas iniciativas que contribuam para a formação, educação e imaginação e que fomenta essa coisa tão abstracta e banal chamada cultura. Neste espaço literário não vão faltar os círculos/clubes de leitura, a música, as oficinas para adultos e para crianças para além de exposições, apresentações de livros, palestras, sessões de contos e outras delicias mais.

E os homens podem entrar?



Pois bem, na Livraria Confraria Vermelha os homens serão bem-vindos e não, não existirá nenhuma tabuleta na porta a dizer “homem não entra”, é uma Livraria DE Mulheres. Ou seja, será uma livraria gerida por mulher(es), especializada em escritoras ou em literatura com perspectiva de género se quiserem chamar assim (eu tenho alguma cautela em fazê-lo por medo a cair em binómios e estereótipos que este projecto pretende romper), especializada na escrita de mulheres que escrevem sobre a sua natureza e a sua sensibilidade o seu prazer…

 “Um espaço que promova a escrita feminina e que dê aos leitores uma ampla gama de histórias de mulheres, histórias diversas de vidas e interesses. Um espaço de educação e novos paradigmas! Um ponto de informação e culminar de sinergias.”

Como colaborar: Acesse a página da campanha Livraria de Mulheres no PPL - Crowdfunding Portugal.  Os colaboradores podem apoiar com qualquer montante a partir de 1€. Como toda campanha de crowdfunding, quem apoia pode ganhar recompensas. Na campanha da Livraria de Mulheres, as recompensas são pins divertidos, marcadores de livro, tote bags, camisetas, vale-compras, e usar o espaço da livraria - depois que ela estiver pronta - para eventos culturais, artísticos e literários.

Visite também o blog, o Facebook e o Vimeo da Confraria Vermelha
Com informações do site PPL - Crowdfunding Portugal
Fotos: Facebook da Confraria Vermelha

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domingo, 8 de março de 2015

Biblioteca da Rodagem espalha livros livres no Agreste Paraibano



Em meados de 2013 Jaciara Vieira de Castro decidiu transformar a sua chácara, uma pequena propriedade rural à beira da Estrada da Rodagem, em um espaço socioeducativo para promover atividades mobilizadoras, que garantissem maior visibilidade social ao município de Serra Redonda na Paraíba. Assim nasceu a Chácara do Saber - nome que ela deu à sua propriedade rural, e na sequência foi criada a Biblioteca da Rodagem. Jaciara nos contou que "a biblioteca comunitária foi uma necessidade que foi brotando a partir da deficiência de literatura na região. A cidade quase não oferece atrativos internos e nem turísticos. E muitos da comunidade acreditam que não podem ter muitas expectativas quanto ao lugar. As crianças por sua vez, num contexto árido e sem incentivos, ficam relegadas a esperar o tempo passar com suas brincadeiras ingênuas e espontâneas, mas quando chegam na adolescência logo migram da cidade em busca de outras possibilidades".


Dona Francisca escolhendo uma leitura para levar para casa. A Jaciara conta que "as pessoas que visitam a biblioteca na geladeira acabam apaixonados. Eu costumo deixar o ambiente bem gostoso, bem decorado e bem colorido". 


Jaciara é dona orgulhosa de uma motocicleta que agora faz parte de seu novo projeto de difusão da leitura, a Mototeca, que leva livros diretamente para empréstimos aos leitores em outros bairros e localidades: "Tudo é totalmente gratuito apesar das muitas dificuldades para abastecer a moto, e dificuldade também de manutenção da moto. Eu procuro não pensar nas dificuldades do futuro. Meu objetivo é favorecer um espaço onde a leitura possa servir de apoio à construção da própria cidadania daqueles que se achegam. Meu grande sonho é manter o espaço livre também, manter livre o direito à leitura. Eu sonho em ver frutos deste projeto no futuro da minha cidade".


Leia, Empreste ou Devolva: é uma iniciativa voluntária do blog Bibliotecas do Brasil para a montagem de pequenas bibliotecas livres e independentes que pode ser colocada em prática por qualquer pessoa. Nós criamos uma arte que pode ser utilizada livremente em cartazes, carimbos, adesivos e qualquer material que a pessoa interessada em montar uma biblioteca comunitária livre pode utilizar. O download da arte é gratuito e encontra-se na nossa área de downloads, clique e leia para saber como utilizar as artes. A Jaciara viu na arte da iniciativa Leia, Empreste ou Devolva uma oportunidade de divulgar melhor a Biblioteca da Rodagem e explicar aos leitores que a visitam, como funciona a biblioteca livre, imprimindo diversos cartazes.


  • O leitor é livre para emprestar o livro, levar para casa e devolvê-lo quando achar que deve;
  • É livre para fazer a leitura a seu tempo, sem pressa, não tem data de devolução; 
  • O leitor é livre para emprestar à outra pessoa;
  • Se quiser levar em uma viagem para ler e libertar esse livro em outra cidade, é livre para isso.


"A nossa biblioteca se deu pela ausência de bibliotecas no meu município, à princípio para disponibilizar um espaço onde a leitura fosse evidenciada. Eu conheci o blog Bibliotecas do Brasil há mais ou menos 2 anos. A arte da iniciativa 'Leia, Empreste ou Devolva' eu coletei há algum tempo e então pensei em colocar à disposição para que as pessoas entendessem que os livros expostos eram para ser lidos e não comercializados. Então passei a colocar em todo espaço da Chácara".

As crianças moradoras da região adoram a geladeiroteca e sempre passam para emprestar gibis

A biblioteca comunitária já tem sido visitada por escolas e grupos pequenos de estudantes pois é o único espaço da cidade dedicado a difundir a leitura. Jaciara conta que "a geladeiroteca surgiu quando ganhei uma geladeira velha de um vizinho então adaptei a minha Biblioteca da Rodagem. A antiga biblioteca era composta de um banquinho à beira da estrada e uma banca com alguns livros devidamente arrumadinhos e enfeitados à disposição de quem passava pela estrada. Com a chegada da geladeira então organizei melhor e assim pareceu mais criativa, o que tem chamado muito atenção de quem passa e também tem atraído pessoas à tardinha no momento das caminhadas".


Mototeca

"Crianças e adultos diariamente têm feito uma paradinha para folhear livros e revistas neste espaço. Eu disponibilizo livros para que levem para casa como uma forma de incentivar ao costume da leitura. Nós moramos em uma área rural, mas em nosso município na área urbana não existem bibliotecas, pasme! Também não existe bancas de revistas ou qualquer forma de incentivo à leitura. Sendo assim, este lugar tem se tornado o único onde livros estão disponíveis como fonte de prazer. Desde o ano passado tenho participado e investido tempo no sentido de incentivar a leitura nossa comunidade".


Jaciara comenta que "a secretaria de educação do município tem uma pequena sala com alguns livros, o espaço não é divulgado e pouco menos visitado, na verdade não sei se seria uma biblioteca".

Durante o carnaval Jaciara fez três exposições na Biblioteca da Rodagem, uma dedicada às embalagens de café de várias partes do Brasil, uma exposição em homenagem aos 50 anos da Jovem Guarda, e uma exposição sobre Luis Gonzaga e toda sua discografia. Uma radiola foi providenciada e os visitantes das exposições puderam apreciar as músicas.


Exposição das embalagens de café



Moradores e visitantes estiveram presentes para participar das atividades culturais da Chácara do Saber.

A radiola foi disponibilizada para que os visitantes pudessem ouvir os sucessos de Luis Gonzaga durante a exposição de sua discografia


Como doar livros, colaborar com a Biblioteca da Rodagem e participar das atividades culturais: a Jaciara aceita como doação livros de literatura e gibis, pode entrar em contato com ela através do seguinte endereço: Rua 30 de Dezembro, nº8, Centro, Serra Redonda/PB
CEP: 58.385.000 ou pela sua página no Facebook: Chácara do Saber ou pelo email: chacara13pb@hotmail.com

Daniele Carneiro - contato@bibliotecasdobrasil.com
Fotos: Jaciara - Chácara do Saber

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