Nessa semana temos todos esses temas na Bibliotecas do Brasil Expresso:

A voz poderosa de Charles Bradley • Relato sobre falta de acessibilidade • Comportamentos machistas que permeiam o cotidiano das mulheres • Primeira graduação em Estudos Afro-Brasileiros • Intervenções artísticas para tapar os buracos das ruas • 40 escritoras para ler antes de morrer • Arte com dinossauros • 200 fotos das Cartoneras Bibliotecas do Brasil • Alfabetização de trabalhadores na obra • Agressão aos professores no Paraná • Como as escolas transformam crianças em adultos medíocres • Dica de livro: Atlântico de Ronaldo Correia de Brito

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Texto e arte: Juliano Rocha
Fotos: Geledés - JornalismoB - Pessoas de Santa Maria - Adria Richards - Bitaites
contato@bibliotecasdobrasil.com

Nessas andanças que fazemos quase diariamente por livrarias e bibliotecas, sempre paramos um tempo na sessão de livros infantis. Fazemos essa parada pois hoje os livros infantis publicados possuem um peso filosófico que auxiliará a desenvolver o pensamento crítico desde muito cedo nas crianças, a arte neles é muito bem feita e conversa com várias fases da História da Arte. O livro que mais me pegou essa semana foi um livrinho de apenas 40 páginas chamado Seis Homens do autor David Mckee.


No livro é contada a história de seis homens que procuravam um terreno onde pudessem cultivar sua plantação e construir uma casa segura, e após muito procurar, encontram o lugar ideal que prospera, gera lucros e eles ficam com medo de perder essa recém adquirida riqueza. Eles contratam guardas para cuidarem de sua fazenda, mas ficam gananciosos e começam a achar que seus vizinhos estão querendo roubar a riqueza deles, então resolvem atacar esses vizinhos que não possuem guardas e daí para frente a história se desenvolve.

O que fica bem evidente no livro é aquele traço obscuro e constante na natureza humana da ganância e da sede de acumular dinheiro, poder, empregados, enfim, tudo aquilo que traz status. O número de guerras lutadas pelos antes escravos, depois camponeses, hoje pobres, que começou com a vontade de pegar aquele excesso de terra que foi visto na terra vizinha é imenso. Isso quando a sede de exercer seu poder sobre as crenças do próximo não começou outras tantas batalhas sangrentas.
Em nosso dia a dia somos levados a cair na roda viva de correr atrás das riquezas que a mídia diz que são tão indispensáveis, e muitas vezes o caminho que se apresenta é o de tomar atitudes que impõe nossas vontades sobre o outro. Essa visão de que o meu caminho é mais precioso, o meu direito em possuir um novo equipamento eletrônico é maior que o seu é que desumaniza as cidades que vivemos. Fechadas no trânsito, buzinas, xingamentos e correria para chegar primeiro são ramificações desse conteúdo obscuro que reside dentro dos seres humanos.


Mas - e ainda bem que existe esse ‘mas’- a humanidade não teria chegado tão longe quanto chegamos não fosse uma outra parte daquilo que nos constitui: a empatia. Essa pequena qualidade presente na maioria da humanidade, nos permitiu brecar essa constante corrida de tempos em tempos para doar algo para o bem comum. Lembra daquele momento em que tirou alguns minutos para recolher o saco de salgadinho que estava rolando pela calçada e depositou no lixo? E aquela vez que escolheu um livro que você comprou em vezes no cartão em um mês apertado, mas que já tinha lido e o doou para uma biblioteca livre? Ainda teve aquela outra tarde que você esquentou um prato de comida deliciosa preparado por quem você ama e levou para o morador de rua que dorme na esquina de casa, lembra disso?

Nesses momentos o que estava atuando era a sua humanidade, aquela peça que manteve esse castelo de Lego tortuoso e alto sem espatifar-se no solo da História. Esse prazer despertado por pequenas boas ações nos mantém juntos e funcionando, apesar das violências vistas no mundo, nós conseguimos nos manter longe da aniquilação e até melhorar aspectos da vida em conjunto que antes eram sub-humanas. Mas esse caminho é longo e constante, portanto o exercício de empatia deve ser praticado diariamente para que o local onde vivemos possa evoluir, deixar de ser uma massa cinza e barulhenta, e aos poucos ir rumo à cor e ao canto dos pássaros e um sorridente bom-dia.

* Esse texto foi publicado na newsletter Bibliotecas do Brasil Inbox #20, enviada para nossos assinantes em 25/08/2014. Compartilhamos com nossos leitores para dar um gostinho do conteúdo semanal que enviamos, sempre com textos inéditos sobre diversos temas culturais, com um foco voltado para partilha de livros, bibliotecas atuantes, projetos de incentivo à leitura inspiradores e iniciativas para conhecer e acompanhar.
Toda semana enviamos um e-mail com conteúdo novo e exclusivo para assinantes sobre o mundo das bibliotecas livres, iniciativas de incentivo à leitura e o mundo cultural. Sempre com uma visão pessoal do que encontramos pelo caminho ao divulgar e conhecer essas pessoas que estão mudando o mundo, uma biblioteca livre de cada vez. Assine gratuitamente nesse link e já receba de brinde todas as edições que enviamos até agora.

Texto e arte: Juliano Rocha sobre arte de DougitDesign
Bibliotecas do Brasil - contato@bibliotecasdobrasil.com
Fotos: Divulgação e B is for Books
Durante tempos difíceis a biblioteca é um oásis de tranquilidade onde você pode recuperar o fôlego, aprender e pensar sobre o que fazer a seguir. Por favor mantenha o seu oásis pacífico e sereno. Obrigado!
A cidade americana de Ferguson que fica no Missouri no final do ano passado foi muito noticiada por causa de um júri que decidiu não indiciar – e mais para frente também não julgar – Darren Wilson, um policial branco que atirou e matou Michael Brown, um jovem negro desarmado. Ao saber dessa decisão protestos que já estavam acontecendo desde agosto, tomaram força e as ruas da cidade e de diversas outras cidades dos Estados Unidos e da Europa foram tomadas pelo apoio de milhares de pessoas. Em meio aos protestos que em alguns locais tornaram-se violentos, e entre repreensões violentas por parte da polícia, um espaço cultural mostrou-se um oásis de racionalidade e um lugar onde as crianças e todos aqueles que procuram conhecimento podem se refugiar: a Biblioteca Pública Municipal de Ferguson.


As escolas da cidade foram fechadas por medo da violência, mas a biblioteca decidiu abrir em meio aos protestos e dar às pessoas um local silencioso para leitura, descanso e onde procurar informação. Essa foi a mensagem da biblioteca no Twiter no dia que foi divulgada a decisão do júri: “Nós estamos abertos das 9:00 às 16:00. Wi-fi, água, descanso, conhecimento. Estamos aqui para você. Se os vizinhos têm crianças, avise-os que os professores também estão aqui hoje”.
Essa demonstração de resiliência, de compreensão da importância de uma biblioteca em uma comunidade em situação de risco chamou a atenção de pessoas do mundo inteiro.


As doações para a biblioteca deram um pulo e pelo correio também começaram a chegar diversas doações de livros. Nas redes sociais todos cobriram a biblioteca de carinho e elogios e o assunto espalhou-se como um pequeno vislumbre de que um futuro de paz era possível para Ferguson. A biblioteca recebeu livros de mais de 7 mil pessoas somente dos Estados Unidos, e muitas voluntárias e voluntários começaram a se tornar mantenedores através de pagamentos via Pay-Pal para colaborar com o espaço. Essas doações chegaram a 350 mil dólares (quase o orçamento anual da biblioteca para o ano inteiro), entre os apoiadores estava o autor Neil Gaiman.

O diretor da biblioteca Scott Bonner
No começo de 2015 o diretor e único funcionário em tempo integral da Biblioteca de Ferguson, Scott Bonner, pediu no Twitter da biblioteca que as pessoas completassem a frase “Graças a uma biblioteca pública eu fui capaz de...”. E a resposta foi enorme, com diversos leitores e interações que nos trazem alegria de ver a importância de uma biblioteca na formação de cidadãos, no desenvolvimento de comunidades e em proporcionar não só um local onde o conhecimento é espalhado, mas um oásis de tranquilidade e segurança para todos. Leia alguns tweets abaixo:
#Graçasaumabibliotecapública eu tive um local seguro para ir após o colégio quando meus pais estavam trabalhando.
#Graçasaumabibliotecapública meus pais nunca tiveram que ter a conversa sobre sexo comigo, pq eu li tudo da @judyblume e da Anaïs Nin quando tinha 10 anos.
#Graçasaumabibliotecapública eu sobrevivi. A biblioteca se tornou meu local seguro quando me sentia insegura em todos os outros lugares.

Dê um like para essa belíssima biblioteca no Facebook e siga no Twitter, deixe uma mensagem para eles dizendo o quanto eles são importantes, caso possa, doe algo para mantê-la funcionando e faça uma visita em vídeo por suas aconchegantes instalações junto com seu diretor:


Ferguson Municipal Public Library
Endereço: 35 North Florissant Road - Ferguson, Missouri - EUA
Site: www.ferguson.lib.mo.us

Texto: Juliano Rocha - Bibliotecas do Brasil
contato@bibliotecasdobrasil.com
Via: Citylab - TPM
Fotos: Facebook da Biblioteca Pública Municipal de Ferguson

Nesta semana a Dani vem com um texto que conta os questionamentos e soluções que surgiram para ela ao ler o livro Faça Acontecer da Sheryl Sandberg. Sheryl é uma executiva de tecnologia e ativista que se tornou a primeira mulher a fazer parte do Facebook como diretora-chefe de operações, e trabalhou em cargos de alto escalão no Google e no Departamento do Tesouro norte-americano. O texto passa pela importância da autoafirmação das mulheres em todas as áreas, seja no trabalho, em casa, com a família, como é primordial defender os direitos das mulheres, compreender quando alguém está sendo discriminada pelo fato de ser mulher, como se organizar e pedir uma sociedade mais igualitária.
São momentos catárticos como esse da Dani com o livro da Sheryl Sandberg que fazem a leitura ser algo tão revolucionário ao abrir novos horizontes e dar as ferramentas para a mudança naquilo que está errado. Vale muito a leitura.

E mais:
Nessa edição temos os posts mais procurados e lidos da semana, os eventos culturais, literários e de arte mais interessantes quem encontramos para divulgar. Quem quiser divulgar eventos literários de qualquer canto do Brasil, pode entrar em contato conosco através do e-mail contato@bibliotecasdobrasil.com, Twitter ou pelo Facebook. Os eventos devem ser obrigatoriamente catraca livre (gratuitos) ou a entrada deve custar menos de R$10,00. Envie o nome do evento/projeto, horário e data da realização, localização, público alvo, endereço, email, telefones para contato, quanto mais informações, melhor.

O que são a Bibliotecas do Brasil Inbox e a Bibliotecas do Brasil Expresso?


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Texto: Juliano Rocha - contato@bibliotecasdobrasil.com
Foto: Michael Wuertenberg

Um dia chuvoso também é um bom dia para deixar livros livres pela cidade. E foi com essa disposição em trazer uma bela surpresa para as pessoas encontrarem livros em seu caminho, que a autora e contadora de histórias Milene Barazzetti deixou vários livros livres nas paradas de ônibus pela cidade de Novo Hamburgo no Rio Grande do Sul no dia 20/04/2015. A Milene contou que os livros são arrecadados na comunidade e doados por escritores. Todos os livros que vão para a ação d elivros livres têm ao menos um exemplar igual disponível no acervo da Biblioteca Fábrica do Saber, onde podem ser emprestados gratuitamente.

A espera do ônibus pode ser uma perda de um tempo precioso que jamais será recuperado, mas ao encontrar um livro, a pessoa pode dedicar esses minutos de espera para ler. Milene escreveu em seu perfil no Facebook: "Hoje quando acordei e vi a chuva caindo forte logo pensei: 'Como libertar livros em um dia chuvoso?' Uma outra pessoa iria desistir, mas quem me conhece sabe que essa palavra 'desistir' não entra no meu vocabulário. Quando cheguei na Biblioteca Fábrica do Saber já comecei a ensacar os livros que seriam distribuídos. Acabei de deixar 30 livros nas paradas de ônibus do bairro Ideal em Novo Hamburgo. Hoje a tarde irei ao centro da cidade. Fiquei muito feliz porque quando estava retornando, alguns livros que eu tinha colocado nas paradas não estavam mais lá. Isso quer dizer que já tem alguém lendo por aí"!


Os livros seguiram com a seguinte mensagem: "Olá! Sou um livro livre a procura de um leitor. Cansei de ficar na prateleira da Biblioteca. Quero é percorrer o mundo e conhecer novos leitores. Se você aceitar, passarei um tempo com você até terminar a sua leitura. Após isso, peço que me deixe em um lugar público para que outra pessoa me ajude a continuar minha viagem. Conto com você"!


Como o dia estava chuvoso a Milene teve a preocupação em colocar os livros em saquinhos plásticos para protegê-los e para a maior comodidade daqueles que tiveram a sorte de encontrá-los. A Milene comprova na prática que deixar livros livres de forma voluntária e desapegada é uma ação muito simples, simpática e generosa e que pode ser realizada por qualquer pessoa em qualquer bairro ou comunidade, pelo prazer genuíno de incentivar a leitura, e  fazer do livro uma surpresa que gera um sentimento gostoso tanto para aqueles que doam, quanto para aqueles que têm a sorte de encontrar um livro livre.


A Milene deixa o convite aberto para que o trabalho realizado na Biblioteca Fábrica do Saber seja conhecido pelas leitoras e leitores do blog Bibliotecas do Brasil. Navegue pelas tags 'Fábrica do Saber' e 'Milene Barazzetti' e leia sobre contação de histórias, literatura infantil e bibliotecas atuantes. Uma forma de acompanhar o trabalho da Milene é através do blog da Biblioteca Fábrica do Saber. Confira mais fotos da ação de livros livres em Novo Hamburgo nesse post.

O blog Bibliotecas do Brasil já realizou várias ações de livros livres, em bairros da periferia de Curitba como Boqueirão e Uberaba e também na cidade de Guaratuba, no litoral do Paraná. Deixar livros livres é uma oportunidade de olhar para o bairro onde moramos a partir de uma nova perspectiva e assim fazer um aprofundado exercício de observação. Além de deixar livros livres para que as pessoas possam encontrá-los espontaneamente, a ideia é achar locais na vizinhança onde se possa praticar a leitura ao ar livre ou localizar praças e espaços públicos que tenham potencial para que a leitura possa ser vivenciada, onde as pessoas possam se encontrar e confraternizar pela cultura ou simplesmente ler com tranquilidade. Mas nem sempre os espaços públicos que encontramos são cenários mais adequados para que a leitura aconteça. Leia mais sobre o tema no artigo Livros livres na Praça do Sesi Boqueirão, Curitiba/PR.


Em algumas cidades, como observamos em nossas diversas ações de livros livres em Guaratuba, os pontos de ônibus são precários, isso quando existem. Acontece de as prefeituras de algumas cidades não providenciarem a manutenção necessária para pontos de ônibus, que muitas vezes acabam dominados pelo mato. Eles não têm bancos e isso causa uma dificuldade extrema para quem necessita deles, não têm telhados, e a ausência deles obriga as pessoas a esperar debaixo de chuva e não possuem acessibilidade, o que torna a vida dos usuários do transporte público sofrida e complicada. Encontrar um livro livre é um alívio para uma espera que às vezes pode ser a pior parte do dia de uma pessoa. Na cidade de Piracaia, no interior de São Paulo, os pontos de ônibus se transformaram em bibliotecas livres pela iniciativa e vontade de pessoas que se importam com o incentivo à leitura. Conheça o projeto Piracaia na Leitura, que já mostramos aqui no blog.

Confira algumas das ações de livros livres que o blog Bibliotecas do Brasil já fez nos seguintes posts:


Daniele Carneiro - Bibliotecas do Brasil
contato@bibliotecasdobrasil.com
Fotos: Milene Barazzetti
Artes: Juliano Rocha - Confira mais selinhos aqui