As bibliotecas têm poder

Leia um texto da newsletter Bibliotecas do Brasil Inbox sobre as responsabilidades de uma biblioteca.

Notas de Viagem de Luis Costa

Leia a divertida passagem de nosso amigo pelo Rio de Janeiro nesse primeiro post com novos autores.

Comece 2015 com a Cartonera Bibliotecas do Brasil

Se dê um presente diferente, independente, artístico e artesanal nesse começo de ano. Compre um livro único e ajude o blog.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

As Bibliotecas Comunitárias de Araruama, Rio de Janeiro

Na newsletter Bibliotecas do Brasil Inbox #38 enviada essa semana para os nossos leitores e assinantes, comentamos como o blog Bibliotecas do Brasil para nós é fonte de imensa felicidade, pois se tornou um local de encontro de coordenadores de projetos, de pessoas que têm desejos e sonhos bem parecidos, que lutam pelas mesmas causas, e que a troca de ideias e busca de inspiração para os seus próprios projetos muito nos motiva a continuar. Na newsletter #37 da semana passada comentamos sobre como essa é a grande razão pela qual fazemos este trabalho: o encontro de pessoas voltadas para a leitura, a partilha e a disseminação da cultura. Olha só o relato contado pela Celia Regina Pimentel, idealizadora da Minibiblioteca Livre Livros No Caminho:
Izabel dos Santos Ribeiro, coordenadora da Biblioteca Comunitária Santos com a sua Cartonera Bibliotecas do Brasil, presente da Celia Regina Pimentel da Minibiblioteca Livre Livros no Caminho.

"Desde que fui informada por você, Dani, da existência de uma biblioteca comunitária em Araruama no Rio de Janeiro, onde montei a Minibiblioteca Livre Livros no Caminho, fui tomada de curiosidade: queria saber onde estava localizada e quem era a idealizadora. Entrei em contato com a Biblioteca Santos através de sua página no Facebook. Na segunda-feira, 12/01/2015, fui conhecer a Izabel e sua Biblioteca. Funciona na garagem da casa. Atende principalmente estudantes em geral e alunos de duas escolas públicas das redondezas. A maioria dos livros é de estudo e pesquisa: o espaço já está pequeno. Recebe doações de livros, papel e canetas para uso de seus frequentadores. Dois computadores também doados, estão disponíveis na Biblioteca. São vinte anos de doações.

A Izabel me recebeu muito bem, com muita alegria. Eu fiquei encantada e admirada com o desprendimento da Izabel: alguém que abre seu coração e sua casa para fazer boas ações para as pessoas de sua comunidade. É um belíssimo exemplo. Pessoas assim nos fazem acreditar que o melhor está por vir.

Levei de presente para a Izabel dois livros: a Cartonera Bibliotecas do Brasil e Folias de Reis fluminense, duas publicações distintas, porém marcantes pra mim.
Aproveito para mais uma vez parabenizar vocês, Daniele Carneiro e Juliano Rocha pelo importante trabalho, através do Blog Bibliotecas do Brasil, criando oportunidades de aproximar projetos e pessoas.
Izabel mantém há 20 anos a Biblioteca Santos com ajuda da comunidade. Essa é a segunda Cartonera Bibliotecas do Brasil que chega à uma biblioteca comunitária. A primeira foi para Alagoas.



Texto: Daniele Carneiro - Bibliotecas do Brasil
Relato: Celia Regina Pimentel
Fotos: Celia Regina Pimentel e Izabel dos Santos Ribeiro

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As bibliotecas têm poder


Esse texto foi publicado na newsletter Bibliotecas do Brasil Inbox #22, enviada para nossos assinantes em 10/09/2014. Compartilhamos com nossos leitores para dar um gostinho do conteúdo semanal que enviamos, sempre com textos inéditos sobre diversos temas culturais, com um foco voltado para partilha de livros, bibliotecas atuantes, projetos de incentivo à leitura inspiradores e iniciativas para conhecer e acompanhar.
Toda semana, às quartas-feiras enviamos um e-mail com conteúdo novo e exclusivo para assinantes sobre o mundo das bibliotecas livres, iniciativas de incentivo à leitura e o mundo cultural. Sempre com uma visão pessoal do que encontramos pelo caminho ao divulgar e conhecer essas pessoas que estão mudando o mundo, uma biblioteca livre de cada vez. Assine gratuitamente nesse link e já receba de brinde todas as edições que enviamos até agora:

"As bibliotecas têm poder" por Juliano Rocha

Uma biblioteca atuante é um ponto que emana cultura no local onde ela se situa, possui o potencial de alterar a comunidade em que está inserida ao oferecer conhecimento gratuito e acessível para pessoas de todas as classes sociais e idades. E exatamente por possuir esse poder de mudança, elas possuem responsabilidades para com as pessoas e o local onde foram construídas, pois como diria o tio do Homem-Aranha: “com grandes poderes vem grandes responsabilidades”.

Toda biblioteca, seja ela pública ou particular, deve acolher a comunidade em volta sem discriminar quem possui ou não carteirinha. As bibliotecas devem abrir seu acervo para consulta local de forma acessível para todos aqueles de decidiram dedicar uma parte de seu dia para adquirir conhecimento. Bibliotecas que proíbem a entrada daqueles que não possuem a carteirinha, ou bibliotecas particulares que não permitem sequer o acesso ao seu interior não compreenderam a responsabilidade que possuem como prédios destinados ao bem comum.
A ideia por trás de se construir um local com o maior número possível de conhecimento produzidos pela humanidade é o de justamente preservar essas informações, e a informação só está viva quando é transmitida. As portas das bibliotecas devem estar sempre abertas para as pessoas mais diversas, para cumprir seu papel social de transmitir o conhecimento e dar acesso à informação e à leitura. A biblioteca não pode diferenciar quem pode ou não ter acesso ao seu conteúdo, justamente por ser um ponto para a transmissão do conhecimento que permite o aprimoramento pessoal, deve ser acessível para pessoas de qualquer classe social que possuam ou não deficiência.

Bibliotecas devem também ser pontos de inclusão social, ao permitir o acesso à informação não só impressa, mas à informação online. Ao permitir que pessoas que não possuem acesso à internet, possam fazer pesquisas de vagas de emprego, elaborarem seus currículos, pesquisem por importantes informações de saúde e direitos que possuem. A internet deve fazer parte dos serviços oferecidos para todos, usuários cadastrados ou visitantes, dentro do prédio das bibliotecas que possuem as condições financeiras de oferecer tal necessidade nos dias de hoje.
Uma biblioteca não pode ser apenas um depósito de livros, estática, sem movimento, tem que abraçar a comunidade em seu entorno e tornar-se um local aconchegante e acolhedor para todos, cumprindo seu papel social e permitir que qualquer um possa ter em mãos as ferramentas necessárias para evoluir e mudar a realidade em que se encontra.

Texto: Juliano Rocha e Daniele Carneiro - Creative Commons
Foto: Marlborough Learning Commons

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  • Bibliotecas do Brasil Inbox #38
  • Robin Williams e a depressão
  • A banalização da vulnerabilidade
  • quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

    Bibliotecas do Brasil Inbox #38


    Na newsletter Bibliotecas do Brasil #38 contamos como em 2015, além do espaço que já temos para os incríveis projetos e ações de incentivo e difusão da leitura, para a atuação de grupos solidários e bibliotecas comunitárias, nós vamos nos dedicar a trazer para o blog o trabalho de novos autores, que estão começando agora a produzir livros e mostrar seus escritos para os leitores. Além disso temos várias indicações para as suas leituras de verão, os posts mais procurados da semana, férias na biblioteca, a agenda cultural com os eventos mais legais que selecionamos para a semana, e o texto inédito do Juliano sobre o artista artista plástico e designer chileno Sebastian Errazuriz, que pretende trazer um pouco de quietude visual e física para a Times Square.

    Acompanhe-nos no twitter: @Bibliotecas_BR


    O que é a Bibliotecas do Brasil Inbox?
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    Texto: Daniele Carneiro
    Arte: Juliano Rocha
    Foto: Ka-Man Tse 

    quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

    Comece 2015 com a Cartonera Bibliotecas do Brasil

    Em agosto de 2014 nós lançamos o nosso primeiro livro independente, a Cartonera Bibliotecas do Brasil, com recursos próprios. As cartoneras são feitas com capas de papelão reciclado, e as páginas são costuradas à mão. As capas são transformadas em pequenos quadros pelas mãos do Juliano Rocha. Confira que lindas elas são.


    A arte de transformar caixas de papelão em livros cartoneros nós conhecemos em uma viagem para Porto Alegre no ano passado. Esse movimento começou na Argentina no início dos anos 2000. Saiba como essa história teve início. Quando conhecemos as cartoneras, nos apaixonamos! Nós estávamos procurando a melhor forma de tornar alguns textos que havíamos produzido disponíveis para leitura. Então decidimos que a cartonera seria a melhor forma, pois assim teríamos todo o controle da produção editorial, da realização da arte das capas, da impressão, da costura, do acabamento, das embalagens e do envio delas para nossos leitores e leitoras. Tudo seria feito com nossas próprias mãos. Então colocamos a mão na massa e começamos a publicar e produzir o nosso primeiro livro independente.


    No interior dos nossos livros cartoneros você encontra textos que produzimos ao longo de 2014, e também textos inéditos. Eles estão presentes na nossa newsletter Bibliotecas do Brasil Inbox, um e-mail com conteúdo novo e exclusivo para assinantes sobre o mundo das bibliotecas livres, iniciativas de incentivo à leitura e o mundo cultural que enviamos semanalmente, sempre com uma visão pessoal do que encontramos pelo caminho. A cartonera foi o modo que encontramos para abranger um maior número de leitores.


    A produção editorial da Cartonera Bibliotecas do Brasil constou em escolher a melhor fonte para apresentar nossos textos para os leitores, decidir o número de páginas, acertar os espaçamentos, e deixar o livro bonito e agradável para a leitura. São 80 páginas com diversos temas culturais, e você pode conhecê-los nesse post.

    Capas disponíveis para venda. Encomende a sua através do email contato@bibliotecasdobrasil.com


    É sempre bom começar o ano de uma forma totalmente diferente, que tal comprar um livro independente feito de papelão reciclado e com capas pintadas à mão pela primeira vez? Você apoia produtores independentes de conteúdo, permite que a reciclagem funcione na prática e ainda por cima recebe um conteúdo diferente dos best-sellers do mundo.


    Cartoneras disponíveis. Nós enviamos pelos Correios para todo o Brasil. Saiba mais.



    Confira nossa participação na Feira do Livro de Araucária com as Cartoneras Bibliotecas do Brasil e a exposição montada com elas.




    Texto: Daniele Carneiro
    Fotos: Daniele Carneiro e Juliano Rocha - Bibliotecas do Brasil

    Leia mais sobre a Cartonera Bibliotecas do Brasil:

    sábado, 10 de janeiro de 2015

    Notas de Viagem de Luis Costa

    Em 2015 vamos dedicar o ano à literatura no blog Bibliotecas do Brasil, principalmente aos novos autores que estão surgindo. Para começar nós trouxemos o nosso amigo Luis Costa que há muito tempo publica seus escritos no Facebook, mas agora em 2015 vai se dedicar a escrever seu primeiro livro. Essa é apenas uma pequena parte das crônicas e do humor do Luis que atualmente mora em Berlim. Em 2015 Luis pretende "ler 6 classicões (desses pesadões mesmo, que intimidam); terminar de ler os livros que tenho sobre Berlim/Alemanha; e escrever 1 página por semana da minha epopéia (essa que vocês me incentivaram a escrever)".


    1 - Quando se mora no exterior e se vive em outra língua, a parte do cérebro que fala português, sentindo-se preterida, junta as coisas e muda-se lá para as fronteiras do tímpano, onde reside calma, silenciosa - - mas alerta. Até que um dia, andando na rua, ela capta uns ruídos conhecidos, procura ao redor e reconhece-se na boca de algum turista, que diz: "tem certeza, Fabiana?". E todo o seu cérebro mobiliza-se em função de escutar a conversa. Se estou no ônibus, sento-me mais próximo; se estou na rua, sigo por algumas quadras; e vou acompanhando aqueles fragmentos de conversa, que registro, anoto. Quando chego em casa, digo: "voce não sabe o que escutei hoje!". E o ponto em que quero chegar é que, estando no Brasil e só ouvindo português por todos os lados, minha mente anda um pouco confusa.

    2 - Não sei como funciona no restante do Brasil, mas aqui, no Rio de Janeiro, os prédios não tem apenas números: eles todos também tem nomes. Dos mais inusitados, nas mais diversas línguas. Meu passatempo agora é ficar andando pela cidade, anotando os nomes dos prédios em um caderninho. Os de Copacabana são especiais. Meu favorito segue sendo um ali na Rua da Passagem, que se anuncia em letras garrafaias: PALAZZO DI SHANGRI LA.

    3 - Dezembro. Verão no Rio de Janeiro. Voltando para casa á noite, pela praia de Ipanema, olho em direção ao Atlantico e vejo o oceano, a areia, os coqueirais. Olho para o lado oposto, para dentro dos apartamentos iluminados e vejo imensos pinheiros, cheios de luzes, enrolados em imensas tiras felpudas simulando neve. O relógio na rua marca 32 graus. Olho para a esquerda, para a direita: coqueirais, pinheirinhos, coqueirais, dinheirinhos. Decidi que, quando voltar a morar em Brasilia, na época do Natal vou iluminar uma Palmeira, um Ipe, uma Garapa, um Urucum.

    4 - O Brasil é superior á Alemanha na Industria-do-Banho. Lá, as duchas não tem essa força, potência, alcance, que encontro aqui. Fui neste momento mesmo ao banheiro e fiz um video de um chuveiro carioca em ação. Voltando a Berlim, encaminharei a mídia ao meu proprietário, com uma nota: "EU QUERO ISSO".5 - Dizem que a melhor coisa do Brasil são as praias. BALELA! A melhor coisa do Brasil são os profissionais da área de odontologia. Por isso, em vez de tirar uma foto de minhas pernas desnudas, encobertas por uma sunga, oceano ao fundo; resolvi retratar meus pés ostentando uma sapatilha sanitária no consultório do Dr. Silvio.

    5 - Dizem que a melhor coisa do Brasil são as praias. BALELA! A melhor coisa do Brasil são os profissionais da área de odontologia. Por isso, em vez de tirar uma foto de minhas pernas desnudas, encobertas por uma sunga, oceano ao fundo; resolvi retratar meus pés ostentando uma sapatilha sanitária no consultório do Dr. Silvio.


    6 – A topografia das calçadas desta cidade (todas calombadas, onduladas) é prova de que a batalha entre natureza e civilização anda muito equilibrada no Rio de Janeiro. A prefeitura cerca as árvores, nivela a rua, pavimenta, cobre de pedras portuguesas e paralelepípedos; mas as árvores mantêm-se indiferentes e seguem crescendo, aumentando suas raízes e destruindo tudo que encontram pela frente. De vez em quando, andando pela calçada, é possível encontrar uma imensa árvore obstruindo o caminho. Aí você abaixa a cabeça humilde e faz o contorno pelo meio fio.

    7 – Ainda sobre o tema natureza - - Já vi gente indignada com a maneira como o Brasil é retratado no exterior: “pensam que há macacos no meio da urbes!”. Pois saibam: no Rio de Janeiro, há macacos no meio da urbes. No caso, micos, que habitam grotões verdes espalhados pela cidade. Quando morei na Gávea, se deixássemos a varanda aberta, os símios entravam e faziam a festa. Em Ipanema, lembro-me deles escalando a (ex-)churrascaria Mariu’s e assaltando a horta no terraço. Só não vejo como isso possa ser motivo de vergonha. Tudo que demonstra é que somos capazes de conviver com outras espécies, o que deveria ser uma espécie de orgulho. Tenho tido sorte de morar nessas cidades com faunas tão abundantes: na Índia, eram macacos pulando no telhado e pavões gritando abaixo de minha janela no trabalho; em Berlim, é comum ver raposas e javalis circulando livremente pela cidade. Portanto, da próxima vez que acusarem o Brasil de ter macacos na rua, retruque: “e não se esqueça que também temos porco-espinho!”. Abracemos nossas capivaras!

    8 – Passando de taxi ontem pelo Jardim de Alá (que separa Ipanema do Leblon), parei para pensar pela primeira vez: “por quê Jardim de Alá? Qual a relação deste canal com o islamismo?”. Parece que nenhuma. O Google me diz que o projeto coincidiu com o lançamento do filme “The Garden of Allah” (1936, com Marlene Dietrich) e é isso: o nome pegou. O Wikipédia foi além e me disse que o filme também inspirou o nome de um cabaret gay em Seattle, que funcionou nos anos 40 e 50 (desses com strip-tease e show de travesti). Meus olhos leram essas informações, mas o que minha mente processou foi: “TUDO ESTÁ RELACIONADO”.

    9 – Ainda vejo paredes chapinhadas pela cidade. Não são bonitas nem confortáveis nem fáceis de limpar. Dou meu voto pelo seu ocaso.

    10 – Há alguns guardanapos que não servem para a função a qual foram desenhados: a função de guardanapos. Notei ser essa a tradição imutável de boa parte dos botecos em que o guardanapo é uma espécie de papel amanteigado mais grossinho, que não consegue executar as funções de: a) limpar a boca; b) sugar a gordura do alimento; ou c) isolar o calor do alimento. Então, qual o propósito? Suponho haver alguma espécie de argumento econômico, do tipo “mas é mais barato”, o que não me convence: pois o cliente, frustrado com a disfunção do guardanapo, enfia os dedos todos naquela lata de alumínio e puxa logo um chumaço de papéis aplasticados - - na esperança de que talvez o guardanapo passará a milagrosamente funcionar, caso você junte uma dezena deles.

    11 – Nas casas brasileiras, os chãos são encerados e brilham. O sinteco ainda não chegou à Alemanha, onde o assoalho é nu e arranha, suja, mancha com facilidade. Que felicidade é derramar vinho tinto sobre cera: qualquer paninho úmido resolve.

    12 - Muitas pessoas por aqui não se incomodam de compartilhar detalhes íntimos da própria vida e, por tabelinha, também não se sentem minimamente constrangidas em invadir sua privacidade. Se ligo para as pessoas, mesmo desconhecidas, não recebo apenas a informação de que quem quero contatar não se encontra; fazem também questão de me fornecerem o histórico completo: “saiu rapidinho para buscar uma encomenda ali na farmácia para minha diverticulite e depois ficou de visitar a tia Almira no hospital, tadinha, caiu da escada, quebrou a bacia, agora está cheia de problema, tendo que fazer exame, uns exames invasivos, você não sabe como está sendo difícil para ela, agora me diz: VOCÊ JÁ FEZ UMA COLONOSCOPIA?”. (não, nunca fiz uma colonoscopia).

    13 – Sei que o Brasil tem muitos problemas e que qualquer sugestão de investimento meramente estético deve soar superficial. Ainda assim: fios elétricos pendurados em postes ainda fazem sentido? Lembro-me que, há uns dez anos, andaram furando a cidade toda para fazer correr fios de internet; será que não dava para pedir licença e escorregar os fios elétricos por ali? No longo prazo, deve haver alguma compensação financeira (pense nos fios protegidos da chuva). Só não sei como ficaria a questão dos “gatos”: terminariam relegados ao fundo da terra, ao alcance somente das toupeiras; ou os larápios esburacariam a cidade toda de volta em sua busca, numa espécie de caça ao tesouro?
    continua.

    14 - Uma coisa é inegável: a cidade é muito, muito, mas muito bonita.


    15 – Passeando pela orla de Ipanema, fiquei encantado ao ver que, a cada 10 passos, há coqueirais carregados de imensos cocos verdinhos. Para celebrar e admirar essa exuberância da natureza, decidi caminhar ao quiosque mais próximo para tomar uma água de coco. Ocorre que, no caminho, considerei: “mas ué, para que comprar um coco se há tantos aí dando sopa?”. Aceitei o desafio e decidi caçar meu próprio coco! Escolhi uma árvore não muito alta e encoxei brutalmente o tronco. Usando as pernas como ponto de estabilidade, fui alavancando o corpo para cima com as mãos até chegar à copa da árvore, onde se encontrava o celebrado premio: o coco! Um pequeno grupo de curiosos não pareceu particularmente impressionado e logo se dissipou. Apesar do breve entusiasmo que circulou pelo meu corpo, não custou muito para dar-me conta de um ponto que eu não havia considerado antes. Como abrir o coco? Pelo que me lembrava da infância, os vendedores de coco costumavam golpeá-los com imensos facões. Eu não estava em posse de imensos facões. Considerei utilizar um saca-rolhas para tentar resgatar o líquido, mas, sendo uma pessoa normal, também estava subtraído de meu canivete. Em um lampejo de desespero, aventei quebrar o coco com alguma espécie de arremesso brutal, mas minha mente gritou: “NÃO ARREBENTE A SAPUCAIA!”. O que é uma sapucaia? Desisti do empreendimento - apenas pelo momento - e cedi à conveniência do quiosque. Mas saibam: isso não terminará assim!

    16 – De manhã, do décimo andar, de olhos fechados, de janela fechada, posso concluir: as pessoas na rua curtem muito apertar uma buzina.
    continua.

    17 – A buzina não é o único som que vem me acompanhando. Ouço gritos: ambulantes gritando uns com os outros, ambulantes gritando com você (“vem perder a virgindade, novinho!”). Ouço fogos de artifício e não compreendo o propósito (não vêm acompanhados de luzes). Ouço também música alta, vinda de todos os cantos, dos lados, de cima, dos poros da terra. Música que às vezes faz o chão tremer. É como se as pessoas tivessem um vazio existencial que precisasse ser preenchido com essa música. E palmas. As pessoas gostam muito de bater palmas! Quando o avião pousa, quando o sol se põe, quando desejam externar felicidade. Só que as pessoas devem ser muito felizes, pois muitas são as palmas. Jantando ontem, na casa de amigos que moram no Baixo Gávea, não parava de ouvir palmas; mas quando eu corria para a janela, não percebia o acontecimento. Até no metrô ouvi palmas. Em Berlim, quando alguém toca música no metrô, as pessoas ficam furiosas, ignoram, alegam que um suposto artista em posse de uma caixa de som não tem o direito de invadir o silêncio de outras 100 pessoas; no Rio de Janeiro, as pessoas batem palmas.

    18 – Em alguns bairros, é como se sempre chovesse. Isso, pois todos os prédios ligam o ar condicionado, que faz cair gotas, imensas gotas, gotas com um volume inigualável a nenhuma outra gota. Gotas que estouram no seu ombro, na sua testa, no seu óculos. Percebi isso no Centro, mas sobretudo em Copacabana. Em Copacabana, há aquela multiplicidade de pequenos apartamentos, cada um com seu aparelho de refrigeração; todos fazendo chover sobre as calçadas minúsculas. Não há para onde fugir das gotas.

    19 – Marquei de rever uma amiga que já não via há pelo menos quatro anos. Éramos colegas de faculdade e, durante anos, devia ir com uma frequência quase semanal a sua casa. Por isso, quando marcamos de nos encontrar lá mesmo, prescindi de solicitar o endereço. Afinal, sabia o quarteirão e lembrava-me exatamente da entrada do prédio: à esquerda, a garagem; à direita, um corredor estreito que culmina em uma portaria. Só não contava com a possibilidade de que todos os prédios da rua teriam exatamente a mesma formatação. E, como estava sem telefone, apelei para a única via possível: solicitei socorro aos porteiros, essa figura que, tendo como base de operações uma portaria, é dotada das atribuições de abrir portas, receber correspondências e lidar com as frustrações diárias dos moradores. “MOÇO, TEM CRISTINA MORANDO AÍ?”, fui berrando de grade em grade. Até que, uma hora, deixaram-me subir: “Cristina? Só tocar no 302”. Mas não era a minha Cristina, era A OUTRA CRISTINA DA RUA, que mesmo levemente atordoada com minha presença em sua soleira, compadeceu-se com o acabrunho que deixei transparecer (“POBRE DESORIENTADO!”). Tomei uma portada nas fuças, mas segui obstinado, de prédio em prédio, de grito em grito. Ao final da rua – como era de ser – LOGREI!

    20 – O elevador do meu trabalho em Berlim tem capacidade para 11 pessoas ou 825kg. O elevador da casa da minha mãe no Rio de Janeiro tem capacidade para 11 pessoas ou 770kg. De que deduzo que um alemão pesa, em média, 5kg a mais do que um brasileiro.
    continua.

    21 - Um dos maiores programas turísticos em Berlim é sair para beber cerveja alemã e falar mal da cerveja brasileira. Ouço muitas críticas, sobretudo por a cerveja brasileira ser de milho ("milheja"), o que sequer a caracterizaria como cerveja na Alemanha (seria algo como "tipo-cerveja"). Mesmo com a má impressão na cabeça, fui tirar a prova e não achei a cerveja brasileira nada má. Tomei Devassa ("ruiva" e "indiana"), Cerpa e Brahma; todas mais que satisfatórias. São bem mais leves do que as alemãs e, diferentemente das de lá, vêm servidas em copinhos refrigerados e em temperaturas que oscilam entre os graus "estupidamente gelada" e "cu de foca". Combinam bem com o clima da cidade. Achei uma delícia e tomei uma boa duzia sem culpa alguma.

    22 - Dizem que brasileiro não gosta de ler, mas fui algumas vezes a livrarias e estavam todas bem cheias. Conheço pouco de literatura contemporânea brasileira, então não posso opinar muito. Mas, ao menos na área de não-ficção, há muita coisa boa e interessante sendo lançada. As traduções estão saindo com uma defasagem um pouco grande com relação aos originais - mas os originais estão à venda para quem estiver disposto a pagar o preço de um livro importado. Há traduções e reedições primorosas e fiquei chateado de não poder carregar mais coisa. Estou até levando uns volumes meio pesados que nem sei se deveria, como uma edição comemorativa de "Os Sertões" da Ateliê Editora; e traduções recentes de "Dom Quixote" (Ernani Ssó) e de "Contos da Cantuária" (José Francisco Botelho), ambas muito elogiadas, ambas da Penguim. Minha única crítica, na verdade, é que as edições brasileiras são tão boas que sinto falta de edições ruins: aquelas de bolso, com capa mole, papel vagabundo, sem arte sem nada; e que, ao mesmo tempo, sejam mais acessíveis. A L&PM, a Cia das Letras, a Martin Claret, a Penguim, todas estão tentando cumprir esse papel, mas ainda não chegamos lá. Queremos o catálogo mais vasto ao menor preço possível: o primeiro que chegar lá terá em mim um cliente fiel.

    23 - Circulando pela praça de alimentação, ouvi um diálogo muito sincero no balcão da "Vivenda do Camarão".

    - Cliente: "Qual prato é melhor, hein, camarão à baiana ou moqueca de camarão?"
    - Vendedor: "Os dois são péssimos. Se eu fosse você, pegava o risoto, que é menor pior."
    - Cliente: "Vou de moqueca então."
    Sigo cada vez mais certo de que a maior parte das pessoas pede opinião só por pedir mesmo.

    24 - Mesmo em 50 tons de cinza, a cidade segue sendo um bocado bonita de se ver.


    25 - A melhor coisa do mundo é comida boa; a segunda melhor, é comida ruim. No Brasil, ambas são ótimas. Quando falei que estava de dieta para vir (perdi 7kg), chamaram-me de exagerado. Mas uma das principais maneiras que um carioca tem para demonstrar afeto é com a oferta de alimentos (café-da-manhã, almoço, jantar, "um bolinho"), e tenho aceitado tudo de muito bom grado. No momento, minhas vísceras chegam a estar até meio incomodadas; meu estômago parece fusca de palhaço.

    26 - Aprendi muitas gírias novas, mas minhas preferidas são relacionadas a "borracha", que parece ser a maneira como os jovens andam designando o órgão masculino. Até onde entendi, uma "BORRACHADA" equivale ao coito; e um rapaz "BORRACHA FRACA" sofre de alguma espécie de disfunção erétil.

    27 - Sei que é natural do ser humano buscar motivos para reclamar, mas não entendo como o clima da cidade virou tópico. Salvo alguns extremos, o ano todo oscila entre mínima de 20 e máxima de 30 graus (sempre acompanhados de uma brisa gostosa que vem da praia). O traje típico é camiseta + "agasalho" para eventual "friagem". Noto pessoas de sunga mesmo em regiões muito distantes da praia. Às vezes, é claro, o clima esquenta muito; mas há ar-condicionado por todo canto & tão potentes que é mais comum passar frio do que calor. Uma amiga minha diz que no Rio de Janeiro há apenas duas estações: verão e frente fria. Se não há para onde fugir, entregue-se.

    28 - Minha terra tem palmeiras e goma de tapioca hidratada.

    29 - Toda grande jornada termina com as aventuras do retorno. Mas o meu foi xôxo e indigno de nota. Havia pago/pagado (nunca sei) um pouco mais pelo assento "LEG PLUS", na saída de emergência, mas acabei cedendo-o a uma senhora - um pouco atrevida, até -, que estava com o pé torcido e podia provar ("estou com o pé torcido e posso provar!"). Minha boa ação foi imediatamente recompensada pelas forças da providência, pois, do meu posto de observação na 33J, pude verificar que o referido espaço para pernas do assento "LEG PLUS" nada mais era do que uma espécie de ante-sala para para os 4 banheiros centrais do avião: um vasto espaço recreativo onde os passageiros vão para esticar as pernas, conversar, ninar bebês e enfileirar-se para o uso dos sanitários. Ou seja: um reino de distrações, cheio de movimento e barulho, com vista para o banheiro (e cheiro de banheiro; ruídos de descarga a vácuo) e pessoas tropeçando no seu pé. Os alemães usam muito uma palavra chamada "shadenfreude", para designar o sentimento de prazer ao ver infortúnio alheio; mas o que senti foi mais o alívio de ter acontecido com outra pessoa e não comigo. Na paz e tranquilidade ao lado de um casal silencioso, tirei sonecas e assisti Nebraska, American Hustle e Rise of the Planet of the Apes. Ninguém pisou no meu pé.
    fim.
    (mas ainda boto um posfácio, peraí)

    30 - cafezinho no ombro

    Fotos: Luis Costa

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    quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

    Férias na Biblioteca Carolina Maria de Jesus - Museu Afro Brasil, SP


    Férias na Biblioteca Carolina Maria de Jesus, biblioteca especializada em cultura africana e afro-brasileira.Você conhece alguma história africana ou afro-brasileira? Sabe quem é Carolina Maria de Jesus?
    Durante as férias venha visitar a biblioteca do Museu Afro Brasil e explorar este universo de conhecimento, desvendando as mitologias e contos relacionados com a presença africana no Brasil.
    Mais informações em: http://www.museuafrobrasil.org.br/o-museu/biblioteca-carolina-maria-de-jesus


    A biblioteca possui cerca de 10.000 itens, incluindo livros, revistas e outros tipos de periódicos, teses, posters e material multimídia, com uma coleção especializada em escravidão, tráfico de escravos, abolição da escravatura, da América Latina, Caribe e Estados Unidos. Recebe anualmente aproximadamente 1.200 visitantes.

    Horário de Funcionamento: 
    De terça-feira à sexta-feira das 10h às 17h30.
    Aos sábados das 10h às 14h.

    Estão disponíveis 20 títulos de obras raras digitalizadas no Catálogo online da Biblioteca "Carolina Maria de Jesus". Clique aqui para saber mais informações sobre a biblioteca e fazer os downloads que a biblioteca disponibiliza.

    Museu Afro Brasil
    Endereço: Av. Pedro Álvares Cabral, Parque Ibirapuera, Portão 10.
    Fone: (11) 3320-8900
    São Paulo / SP 

    Crédito da arte, foto e das informações: Facebook do Museu Afro Brasil e site do Museu Afro Brasil

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    Bibliotecas do Brasil Inbox #37


    A primeiríssima edição de 2015 vem dar as boas vindas ao ano novo! Nessa newsletter contamos alguns momentos da nossa viagem à São Paulo, em especial a visita que fizemos à Exposição Ron Mueck na Pinacoteca e as primeiras sensações de estar em uma cidade gigantesca e bem diferente do lugar onde moramos. Temos também o lançamentos dos adesivos - os selinhos do blog Bibliotecas do Brasil - que agora você pode comprar e colar onde achar interessante, e ainda colaborar diretamente conosco para mantermos o blog atuante e a produção da Cartonera Bibliotecas do Brasil. Na edição #37 trazemos os posts mais procurados da semana, falamos de arte e graffiti, uma dica bem bacana para download gratuito de 40 mil obras de arte em alta resolução, falamos sobre a ação voluntária do blog Bibliotecas do Brasil, Livros Livres em Guaratuba, além de trazermos eventos culturais selecionados entre os mais legais da semana.

    Acompanhe-nos no twitter: @Bibliotecas_BR


    O que é a Bibliotecas do Brasil Inbox?
    Toda semana, às quartas-feiras enviamos um e-mail com conteúdo novo e exclusivo para assinantes sobre o mundo das bibliotecas livres, iniciativas de incentivo à leitura e o mundo cultural. Sempre com uma visão pessoal do que encontramos pelo caminho ao divulgar e conhecer essas pessoas que estão mudando o mundo, uma biblioteca livre de cada vez. Assine gratuitamente nesse link e já receba de brinde todas as edições que enviamos até agora:

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    Texto: Daniele Carneiro
    Foto e Arte: Juliano Rocha
    contato@bibliotecasdobrasil.com

    segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

    Agora você pode comprar os adesivos do blog Bibliotecas do Brasil!


    Temos novidades no blog Bibliotecas do Brasil em 2015! Agora você terá mais opções para nos apoiar e nos ajudar a manter as atividades semanais do blog, as ações de livros livres e ajudar a divulgar as bibliotecas livres, comunitárias e atuantes do nosso Brasil e de fora, com um blog sempre atualizado e comprometido em mostrar as mais variadas modalidades de aproximação e sensibilização para a leitura e para a partilha de livros.
    Em 2014 os nossos leitores puderam nos apoiar comprando a Cartonera Bibliotecas do Brasil, e fazendo pequenas doações diretas através do Pag Seguro - nós temos um doador assinante da newsletter, e agradecemos muito por esse apoio.

    Em 2015 vamos disponibilizar alguns produtos para venda, e com o recurso gerado por esses produtos é que pretendemos continuar nos dedicando com o todo o carinho a fazer um blog inteiramente gratuito, com muitas dicas, recursos para bibliotecas livres e comunitárias e trazer ainda mais novidades para ele do mundo das publicações independentes, contação de histórias e partilha de livros, além de selecionarmos alguns locais para visitarmos pessoalmente.

    Esses são alguns dos selinhos que publicamos no blog e na newsletter e que se transformaram em adesivos para você colar onde achar legal.


    Adesivos selinhos do blog Bibliotecas do Brasil (Eu doo livros | Eu devoro livros | Livros devem circular | Napoleão | Van Gogh): Envelope com 3 adesivos redondos de 6,5 cm de diâmetro.
    Valor: R$ 20,00 com frete grátis.
    Arte dos adesivos: Juliano Rocha




    Adesivos Salve Madiba: retangular com 18,5 cm  x 7,5 cm.
    Valor: R$15,00 com frete grátis
    Arte dos adesivos: Juliano Rocha


    Adesivos escritores (Ray Bradbury | Ernest Hemingway): Envelope com 3 adesivos retangulares com 9,5 cm x 5,5 cm
    Valor: 20,00 com frete grátis
    Arte dos adesivos: Juliano Rocha




    Adesivos Henry David Thoreau: retangular com 13,5 cm x 10 cm
    Valor: 15,00 com frete grátis
    Arte dos adesivos: Juliano Rocha


    Para comprar: basta enviar um email para contato@bibliotecasdobrasil.com dizendo quais adesivos você quer e a quantidade, e nós te passaremos todas as informações necessárias sobre o pagamento e o envio.

    Você também pode nos apoiar comprando o nosso primeiro livro autopublicado: a Cartonera Bibliotecas do Brasil nesse link: http://www.bibliotecasdobrasil.com/2014/11/nesse-natal-presenteie-com-um-livro.html


    Prestigie o nosso primeiro livro publicado de forma independente: a Cartonera Bibliotecas do Brasil é o nosso primeiro livro publicado em formato cartonero e produzido com recursos próprios. Os livros cartoneros nasceram na Argentina em meio à uma crise econômica, e como a necessidade é a mãe da invenção, escritores e poetas independentes começaram a produzir livros impressos em pequenas gráficas e com as capas feitas de papelão, normalmente reciclado, pintadas uma a uma. O nome "cartoneras" veio das mulheres que recolhem recicláveis e principalmente papelão nas ruas de Buenos Aires.

    São 80 páginas com textos dos editores do blog, Daniele Carneiro e Juliano Rocha, além de conter ilustrações do Juliano e todos os exemplares são costurados à mão. Os livros possuem uma capa única pintada por Juliano Rocha - todas são diferentes uma das outras, pintadas sobre papelão reciclado, que é coletado das ruas de diversos bairros de Curitiba.

    Os textos da Cartonera Bibliotecas do Brasil trazem as ilustres presenças de: Truman Capote - Mandela - Livros Livres - Woody Allen - Basquiat - Camus - Stamira - Doação - Bibliotecas Livres - Direitos dos Animais - Drauzio Varella - Buñuel - Biblioteca Escolar - Futuro - Thoreau - Moradores de Rua - Direitos Humanos - Bill Clinton - Solidariedade - Jazz - Arte - Diários - Literatura - Cinema e Textos Inéditos. Compre aqui.


    A Cartonera Bibliotecas do Brasil além de ser um presente com conteúdo cultural, é também uma belíssima obra de arte que pode ser emoldurada ao término da leitura.


    As tiragens são pequenas e numeradas pois nossa produção é artesanal, feita por duas pessoas. Já pensou ter um livro tão exclusivo assim? É um incrível presente para você e para aquelas pessoas que você admira. Ao adquirir uma cartonera você apoia produtores independentes de conteúdo, permite que a reciclagem funcione na prática e ainda por cima recebe um conteúdo diferente dos best-sellers do mundo.


    Por que é legal colaborar com o blog Bibliotecas do Brasil?


    1. Porque o conteúdo é gratuito. Nos últimos dois anos entramos em contato com bibliotecas comunitárias, bibliotecas livres, ações de incentivo à leitura, grupos solidários e bibliotecas públicas atuantes para mostrar o que de melhor está acontecendo no Brasil, e em outros países como Portugal, Estados Unidos, África do Sul e Moçambique no sentido de sensibilizar e aproximar os livros dos leitores. De norte a sul do Brasil mostramos inciativas que com poucos recursos e de forma bastante simples conseguem ampliar o acesso aos livros e à leitura. Essa divulgação de projetos e bibliotecas é feita gratuitamente;
    2. Downloads gratuitos de recursos visuais e tutorial para montagem de bibliotecas livres. Criamos dentro do blog Bibliotecas do Brasil a área especial de downloads, onde é possível baixar gratuitamente recursos visuais através as artes da iniciativa “Leia, Empreste ou Devolva” que facilita a montagem de bibliotecas livres. As artes já estão configuradas para a confecção de um carimbo e de um pôster que explica como funciona o conceito de livros livres, além de um tutorial de como montar uma biblioteca livre, também disponível para download que poderá ser impresso;
    3. Enviamos a Newsletter Bibliotecas do Brasil Inbox. Toda semana, às quartas-feiras enviamos um e-mail com conteúdo novo e exclusivo para assinantes sobre o mundo das bibliotecas livres, iniciativas de incentivo à leitura e o mundo cultural. Sempre com uma visão pessoal do que encontramos pelo caminho ao divulgar e conhecer essas pessoas que estão mudando o mundo, uma biblioteca livre de cada vez;
    4. Temos dicas úteis para bibliotecas e ações de incentivo à leitura. No blog encontra-se também a sessão de dicas, que auxiliam não só bibliotecários e administradores de bibliotecas, mas também os leitores que desejam doar seus livros, enfeitar sua própria biblioteca livre, ou simplesmente melhorar a comunidade da qual faz parte com pequenas ações que explicamos nesses textos;
    5. Outras ações que dependem de nós. Além do blog Bibliotecas do Brasil, ajudamos a manter a Biblioteca Comunitária Sítio Vanessa localizada na área rural de Morretes e a Minibiblioteca do Sossego no Parque Gomm em Curitiba. Para organizar e manter os eventos que realizamos nesses locais, fazer arrecadações de livros e de kits de leitura, e mantê-las ativas, levando doações de livros, temos um gasto com gasolina e pedágio. E em alguns casos temos despesas com o envio de livros excedentes, que dividimos com outras ações de incentivo à leitura e bibliotecas que não possuem uma forma de arrecadar muitos livros, mas que achamos importante ajudar.

    Fotos e Texto: Daniele Carneiro e Juliano Rocha
    Bibliotecas do Brasil - Creative Commons