Livros Livres na Praça do Terminal do Boqueirão

15.12.13



Hoje demos continuidade à nossa ação de incentivo à leitura Livros Livres no Boqueirão. Deixamos livros na Praça do Terminal do Boqueirão localizada entre as ruas Maestro Carlos Frank, Av. Marechal Floriano Peixoto e Rua Nossa Senhora da Paz. Além de deixar livros livres para que as pessoas possam encontrar espontaneamente, a ideia é encontrar locais na vizinhança onde se possa fazer leitura, ou que tenham potencial para que a leitura possa ser vivida, onde as pessoas possam se encontrar e confraternizar pela cultura, ou simplesmente ler com tranquilidade. E esse foi o cenário que encontramos...



A praça em frente ao Terminal do Boqueirão está com o mato alto, muita sujeira espalhada por todos os cantos, não existe a menor possibilidade de uma criança brincar nesse lugar. Tem muito lixo, garrafas pet espalhadas, sacolinhas, muito cocô de cachorro e de gente, muitas pedras enormes soltas que não fazem o menor sentido ao lado de brinquedos e mais parecem munição. É impraticável ficar ali por poucos minutos para fazer uma leitura, o lugar é realmente tétrico, a sensação de insegurança é muito grande.
Além de ser um lugar feio e mal cuidado, não tem a menor condição de ficar por ali muito tempo, pois há uma rotatividade de pessoas em atividades suspeitas, muito atentas aos movimentos de qualquer um que se aproxime da praça. Não é um local seguro e tem um clima deprimente. A impressão é de final de festa com alto consumo de drogas.



Deixar livros livres em um local público serve como um exercício de observação do bairro onde moramos. Às vezes estamos tão acostumados a fazer um caminho de carro ou de ônibus e na pressa do dia a dia não reparamos nos detalhes. Tem aquelas ruas bem próximas de casa que são evitadas por inúmeros motivos: são ruas esburacadas, perigosas, de difícil acesso, ou então, ruas com uma movimentação muito grande de consumo de drogas e prostituição, e ninguém quer passar por ali. Acontece muito. Uma quadra super movimentada com lojas, trabalhadores, consumidores, lanchonetes e na quadra seguinte é aquele cenário de pós-guerra, tudo destruído, depredado e inseguro. Os moradores assim como o bairro sofrem com esse estigma.

Essa plantação de bambu bem em frente aos brinquedos da pracinha é um mocó de consumo de drogas e várias atividades ilícitas. Tinha de tudo entre esses troncos de bambu, mas não nos aproximamos porque haviam pessoas cuidando desse lugar. A Rua Anne Frank é conhecida pela prostituição existente em diversos pontos desde o Terminal do Boqueirão até o Hauer.

Pedras, sacolinhas, garrafa pet, nada apropriado para a circulação de famílias com crianças que procuram por um pouco de diversão.

Os livros que deixamos em um dos bancos da pracinha. Um pouco de carinho com um lugar tão abandonado e mal cuidado. 

Uma pessoa que quer se dedicar à leitura e aos livros no Boqueirão não tem como fazer isso nesse espaço público do bairro, precisa se deslocar para outros lugares da cidade. Não tem biblioteca por perto aberta aos sábados. Uma curiosidade que observamos durante nossa ação de livros livres: várias mulheres com seus filhos todos arrumadinhos nos pontos de ônibus, seguindo para outros lugares na cidade. Não há nada divertido, cultural ou de incentivo às artes e à leitura acontecendo nessa região, para nenhuma idade.


Os livros que deixamos livres são de doações que recebemos ao longo de 2012 e 2013, que não se encaixam no perfil dos leitores das bibliotecas com as quais colaboramos ou são repetidos.

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Daniele Carneiro e Juliano Rocha
contato@bibliotecasdobrasil.com
Fotos: Daniele e Juliano

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