Fahrenheit 451 e uma sociedade mais tolerante

28.2.15


Esse texto foi publicado na newsletter Bibliotecas do Brasil Inbox #29, enviada para nossos assinantes em 29/10/2014. Compartilhamos com nossos leitores do blog para dar um gostinho do conteúdo semanal que enviamos gratuitamente, sempre com textos inéditos sobre diversos temas culturais, com um foco voltado para partilha de livros, literatura, bibliotecas atuantes, projetos de incentivo à leitura inspiradores e iniciativas para conhecer e acompanhar.
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Fahrenheit 451 e uma sociedade mais tolerante

Você viveria em um mundo onde os livros são proibidos? Pois este é o mundo que o autor Ray Bradbury criou no seu mais famoso livro Fahrenheit 451 (1953). Acabei de ler este livro apesar de já ter visto o filme há muito tempo, e os dois diferem um pouco um do outro. No livro seguimos a história de Guy Montag, um bombeiro – nesse futuro próximo bombeiros queimam livros e casas onde eles estejam escondidos – que começou a se questionar o que existe dentro desses livros que ele tanto queimou e resolve ler alguns deles, cometendo um crime que pode ser punido com a morte.
A busca pelo conhecimento é uma das motivações centrais na vida de um leitor, a sua sede de novas realidades e novos conceitos o faz sair do comportamento de manada, como Nietzsche definiu tão bem. Procurar algo além da sua zona de conforto e estar constantemente sendo exposto a novas maneiras de pensar e novas pessoas, desconstrói qualquer possibilidade de surgirem pensamentos preconceituosos. A atitude de preconceito contra aquilo que não é parecido conosco vem da mais completa ignorância, da falta de tentar compreender que todos somos essencialmente iguais na formação do homo sapiens, com apenas pequenas adaptações biológicas ao ambiente que habitamos.

E mesmo se fôssemos diferentes na formação de nossos genes e hábitos, a abertura de mente para compreender que existe o diferente no mundo, e que esse outro também possui o direito de viver e procurar uma vida satisfatória, é necessária e essencial em todos aqueles que são humanos e vivem em uma sociedade. A leitura é importante justamente por nos dar essa compreensão de que estamos todos no mesmo barco, um planeta ínfimo no meio do universo que por um acaso possui as qualidades para o desenvolvimento de vida inteligente.
Justamente para criar esse sentimento de ódio por aquilo que não se conhece é que os dirigentes da sociedade futurista de Fahrenheit 451 não permitem o acesso aos livros, para manter o constante estado de guerra, como é visto em outro livro de ficção que espelha nossa sociedade, o excelente 1984 de George Orwell, que também recomendo com fervor. A ignorância do povo sempre foi uma arma eficaz para manter populações como rebanhos apáticos durante a história, é só pensar que em 1920 - portanto já no século 20 - a taxa de analfabetismo no Brasil era de 71% e o quanto as pessoas podiam ser manobradas por quem detivesse o poder.

Como Ray Bradbury era um apaixonado inveterado por livros e bibliotecas e uma pessoa que acreditava no espírito humano, existe uma resistência contra esse regime totalitário composto de pessoas que decoram os livros e passam sua história para frente de forma oral. É uma imagem muito forte e bonita, de pensar que uma pessoa ao decorar uma história tornou-se o livro Guerra e Paz ou o livro Desobediência Civil. Além de ser uma resistência que não produz provas contra si, pois não viola a lei de não possuir livros, proporciona a sobrevivência da cultura que a humanidade já produziu e permite que quando o momento chegar, os livros poderão ser produzidos novamente.
Nesse momento em que vivemos no Brasil ao final de uma eleição onde o pior das pessoas foi despertado, e demonstrações horríveis de preconceito e xenofobia foram vistos, é fundamental a leitura de obras que nos façam pensar mais em como aceitar aquilo que é diferente. A leitura é um exercício intelectual que nos torna mais humanos e mais próximos de uma sociedade sem tanta violência e discriminação. Fahrenheit 451 é um ótimo ponto de partida para pensarmos o que pode acontecer se começarmos a banir aquilo que não compreendemos, e de como devemos aceitar o diverso e aprender com outras culturas como podemos melhorar, e dessa forma produzirmos novos maneiras de desfrutar da nossa realidade de forma alegre, tolerante e sem ódio.

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