Bibliopote - Biblioteca Livre Pote de Mel em Curitiba

19.10.14

Fachada da Panificadora Pote de Mel no Centro de Curitiba

Entre 2009 e 2010 passamos uma breve temporada na casa de uma amiga que havia se mudado para outra cidade e que sempre foi uma grande leitora. Na correria da mudança alguns livros dela ficaram para trás, exemplares com os quais convivemos por alguns meses. Era uma delícia estar em companhia dos livros dela, ler suas anotações de leitura, viajar através dos livros sob uma nova perspectiva. Primeiro porque eram livros totalmente diferentes dos que tínhamos em nossa estante, e porque era realmente gostoso estar em um local silencioso e agradável onde as leituras podiam se estender durante horas e horas.

Na casa da nossa amiga foi a primeira vez que pensamos que seria muito legal poder abrir a nossa estante de livros para mais pessoas, foi a primeira vez que pensamos que seria muito bacana partilhar livros com outros leitores. E até chegamos a conversar como seria abrir uma portinha em casa e disponibilizar livros para as pessoas que passassem pela rua, uma pequena biblioteca comunitária. A única condição é que a biblioteca seria sem obrigação nenhuma. As pessoas que quisessem fazer empréstimos não teriam nenhuma obrigação em devolver o livro numa data marcada, nem precisariam de carteirinha, nem mostrar o comprovante de residência, CPF, RG, nem dar o telefone de casa, do celular, de um parente e pagar uma taxa, nada disso. A biblioteca seria livre de burocracia. Funcionaria na base da confiança. Ficamos assim imaginando como seria essa "biblioteca livre". 


Todas aquelas ideias chatas e paranoicas passaram pelas nossas cabeças também: "Como lidar com o vandalismo? Como lidar com o excessivo consumo de drogas em nosso bairro? Será que os livros serão trocados por crack? Vão roubar os livros? Vão vandalizá-los? Vão vendê-los nos sebos, vão emprestar e nunca mais devolver? Etc, etc". 
A melhor coisa que uma pessoa deve fazer se pretende começar uma biblioteca livre comunitária é se livrar de todas essas preocupações desnecessárias que acabam virando bloqueios paralisantes na hora de realizar o projeto. Foque na conscientização do leitor, na importância da leitura e da circulação dos livros, abrace a ideia da partilha de livros e seja feliz!

Ver as pessoas tendo acesso aos livros que elas estavam procurando há muito tempo, tendo contato com eles pela primeira vez como leitores ou redescobrindo o amor pela leitura, apaga qualquer preocupação com o destino dos livros. Simplesmente deixe-os ir para onde quer que tenham que ir. 

Naquele mesmo ano que a ideia de partilhar nossos livros começou a fervilhar em nossas mentes, conhecemos a Biblioteca Livre Pote de Mel. É sempre um prazer voltar nossas lembranças ao ano de 2009, porque foi quando vimos na prática que era possível partilhar livros, que a ideia quando sai do papel é realmente incrível, e quando uma rede solidária de pessoas se preocupa em mantê-la, a iniciativa realmente funciona. 
É possível sim no Brasil montar bibliotecas livres, e o Alessandro Martins comprovou isso na prática numa parceria maravilhosa com a Padaria Pote de Mel que dura até hoje, 5 anos. Nós somos apaixonados por essa biblioteca e sempre que a gente pode, faz uma visitinha.

Essa é a Panificadora Pote de Mel no Centro de Curitiba. Dentro da Panificadora desde 2008.

São duas antigas geladeiras cheias de livros livres.


O grande público da Bibliopote são os pacientes e familiares que frequentam o Hospital das Clínicas na região.



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Quando for fazer uma visita a biblioteca não esqueça de pedir um café (que vem em uma xícara grande) e comer o pão de queijo gigante com gosto da vó.

Daniele Carneiro
Fotos: Juliano Rocha e Dani Carneiro
contato@bibliotecasdobrasil.com

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