Conheça a lista de editoras cartoneras do Brasil e do mundo

12.9.16

Mariana Costa Mendes faz parte da Malha Fina Cartonera de São Paulo e ela fez um levantamento sobre as editoras cartoneras que existem pelo mundo. A partir de uma lista inicial que já existia, Mariana ampliou e dividiu a lista em 3 partes: todas as cartoneras do mundo, cartoneras ativas e cartoneras inativas. Que excelente oportunidade de conhecer e entrar em contato com o trabalho de centenas de pessoas que estão fazendo cartoneras tanto aqui no nosso país, quanto no mundo inteiro.

A partir desse incrível levantamento de dados, nós descobrimos que a nossa querida editora Magnolia Cartonera, baseada na Vila Cubas no bairro Novo Mundo em Curitiba, está entre as 20 editoras cartoneras ativas no Brasil, e atualmente é a única cartonera ativa que se tem notícia no estado do Paraná na listagem. Para nós é uma grande satisfação e alegria estarmos entre essa lista tão especial de editoras cartoneras pelo mundo.
Agradecemos à Mariana e à Malha Fina Cartonera pela iniciativa de fazer essa lista de cartoneras e por nos incluir nesse estudo tão importante, que servirá de informação e ferramenta de pesquisa para as pessoas que quiserem estudar, pesquisar, conhecer e se aprofundar sobre as editoras cartoneras e localizar os projetos existentes mais próximos de suas cidades.



Selecionamos alguns trechos do estudo realizado pela Mariana, com informações muito interessantes sobre as atividades cartoneras pelo mundo. Recomendamos a leitura do levantamento completo.
'Como monitora bolsista da Malha Fina Cartonera, há algum tempo me foi designada a tarefa de (re)elaborar uma lista elencando todas as cartoneras existentes no mundo. Digo (re)elaborar, pois a(s) minha(s) lista(s) partem da lista anteriormente feita pela Profª Dra. Johana Kunin da Universidade Nacional de San Martin (Argentina). Além da lista de Kunin, também usei como base as páginas da Wikipédia em espanhol, português e inglês que tratam sobre as editoras cartoneras. Por fim, também utilizei a página da biblioteca da Universidade de Wisconsin-Madison (Estados Unidos) que é referência mundial quanto ao acervo de livros cartoneros. 
A ideia inicial era apenas atualizar a lista de Kunin, porém, em meio a este processo, percebi que algumas cartoneras aparentemente não existiam mais. Sendo assim, foram montadas três listas: uma contendo todas as cartoneras, outra só com as cartoneras ativas e uma última com as cartoneras (aparentemente) inativas. As listas estão organizadas em ordem alfabética por continente/país/estado e cidade e podem ser consultadas a seguir: Todas as Cartoneras, Cartoneras Ativas e Cartoneras Inativas.
A primeira cartonera a existir foi a Eloisa Cartonera, que surgiu na Argentina em meio à crise financeira e política de 2002. O fundador da editora, o poeta Washington Cucurto, encontrou uma possibilidade de saída da crise ao enxergar o potencial que há ao produzir livros com capa de papelão, uma forma simples e sustentável de aquecer a economia. A partir de então o movimento se espalhou pelo mundo, contando com editoras nos quatro continentes (exceto na Oceania), incluindo países distantes, como a Alemanha, a Suécia, a Finlândia e a China.
Conforme foi averiguado, cerca de 183 cartoneras já existiram no mundo todo (2 na África; 156 na América; 1 na Ásia e 24 na Europa), porém algumas delas não passaram de projetos de curta duração, como Lulio Cartonero, o primeiro projeto cartonero do México, ou a Princesa Cartonera, um projeto realizado com crianças na Espanha ou ainda a Me Muero Muerta Ediciones, um projeto cartonero realizado em uma prisão em Ezeiza (Argentina).

É possível identificar algumas modalidades entre as cartoneras, como os projetos cartoneros individuais, os coletivos cartoneros, as cooperativas cartoneras (como a Dulcineia Catadora, em São Paulo) e as cartoneras universitárias (como La Sofía Cartonera e nós, a Malha Fina). Mesmo com algumas diferenças, este novo modo de produção faz com que o livro seja visto de uma forma muito mais humana. Cada livro é único, pois cada capa é diferente uma da outra, e, sendo assim, os livros cartoneros são“mucho más que libros”, como é o slogan da Eloisa Cartonera. 

Blog Bibliotecas do Brasil e Magnolia Cartonera - nossa história na publicação independente de livros


Como conhecemos as cartoneras

Em 2014 já tínhamos 3 anos de vivências com bibliotecas comunitárias e bibliotecas livres além de dedicar o blog Bibliotecas do Brasil ao incentivo à leitura, fazendo dele um canal de visibilidade para vários projetos e bibliotecas que têm como principal princípio tornar o livro mais acessível para os mais diversos públicos, e o incentivo à partilha de livros. Em uma viagem a Porto Alegre, estivemos estivemos presentes no lançamento do livro-arte (cartonera) do Jornal Boca de Rua, evento que aconteceu junto com a Mostra de Saraus da FestiPoa Literária. Esse evento foi crucial para nós, pois através do Julio Souto (integrante da editora cartonera Maria Papelão de Santa Maria) e da Rosina Duarte do Jornal Boca de Rua de Porto Alegre, tivemos a oportunidade de conhecer os livros cartoneros. Nós já contamos essa história linda de encontro com o mundo cartonero aqui no blog.

Naquela época a gente já estava em busca de um formato para lançar um livro sobre bibliotecas (e que só viria a ser publicado em 2015, o livro Ideias para Bibliotecas Livres - Um manual de autogestão independente). Pensávamos em fazer um e-book, mas quando conhecemos as cartoneras nos apaixonamos por elas, e decidimos que esse era o formato ideal para publicarmos os nossos textos.


O começo de nossas publicações cartoneras

Voltamos para Curitiba e passamos 3 meses desenvolvendo o nosso 1º livro cartonero que foi lançado em agosto de 2014, a Cartonera Bibliotecas do Brasil. Nesse livro que foi a primeira imersão que fizemos no universo cartonero, selecionados textos de nossa newsletter Bibliotecas do Brasil Inbox e junto a eles foi adicionado um texto inédito de cada autor. Além de ser uma oportunidade de divulgarmos nossos textos, nossas ideias e radiar para mais pessoas o incentivo à leitura e a partilha de livros, pudemos nos dedicar a escrever, planejar projetos editorias, e fazer trabalho artístico e artesanal através de corte, costura, e pinturas dos livros.

Após o lançamento, e a aceitação de nossas cartoneras por várias pessoas que nos apoiaram e muitas que nos apoiam até hoje, sentimos que era o momento de termos a nossa própria editora cartonera e de nos dedicarmos ainda mais ao desenvolvimento, criação e confecção dos livros que temos em mente. Começamos então a desenvolver a Magnolia Cartonera em 2014 e em 2015 iniciamos as atividades da editora com o livro Ideias para Bibliotecas Livres, lançado em novembro daquele ano. Todos o processo de coleta do paelão, confecção dos livros e a produção editorial deles, assim com as capas são feitos por nós.



Continuidade da Magnolia Cartonera

Em 2016, a Magnolia Cartonera mudou-se do bairro Boqueirão em Curitiba para a Vila Cubas no Novo Mundo, e continua ampliando suas atividades. Lançamos 2 livros em agosto, o Guia Prático para Bibliotecas Comunitárias de Dani Carneiro e o livro de ficção e quadrinhos Eles chegaram!/No Terminal de Juliano Rocha.

Em setembro/2016 lançamos no canal do Youtube do blog Bibliotecas do Brasil vídeos que mostram o nosso trabalho de confecção dos livros cartoneros, com várias dicas para quem deseja começar a publicar seus próprios livros e também, como uma forma carinhosa de retribuição e partilha a quem tem apoiado o nosso trabalho. E vamos começar a primavera de 2016 desenvolvendo novos projetos de livros para o ano de 2017.

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