Bibliotecas resilientes servem de apoio e refúgio após eleição de Donald Trump

14.11.16

Mural de post-it da Princeton Public Library NJ

Tem sido uma semana difícil nos Estados Unidos. A eleição realizada na última terça-feira (08/11/2016) que levou Donald Trump à Casa Branca, amplificou divisões no seio das comunidades e inflamou sentimentos de isolamento, raiva e medo entre grande parte da população. À medida que a poeira baixa, bibliotecas de todo o país estão fazendo pequenas e grandes ações para que todas as pessoas se sintam seguras e bem-vindas, independentemente de quem são ou quais os candidatos elas apoiaram. Aqui estão alguns exemplos de como as bibliotecas tem reagido ao resultado da eleição. 

União de vizinhos
Na quinta-feira, 10 de novembro, mais de 200 pessoas apareceram para uma conversa pós-eleitoral com líderes comunitários na Biblioteca Pública de Princeton em New Jersey. A biblioteca tinha anunciado o evento apenas 24 horas antes, convidando as pessoas a se unirem para participar de um café, chá e cidra caseira quente não alcoólica, e trazer uma sobremesa para compartilhar com a vizinhança.

O convite para o evento dizia o seguinte: 'Como sempre, nós estamos aqui para a nossa comunidade'.
O evento contou com a presença do prefeito e líderes de organizações sem fins lucrativos locais, igrejas e organizações de serviços humanos, disse a bibliotecária de programação, Janie Hermann.


Exposição de livros e pequenas mostras
Muitas bibliotecas montaram displays de exposição de livros, e fizeram pequenas exposições com material do acervo para capturar alguns dos temas e humores predominantes nesta época pós-eleitoral:

  • Bibliotecária(o)s da University of Washington's Odegaard Undergraduate Library criaram um display da eleição, chamado de "Fuga da Eleição" com exposição de livros de ficção e de não-ficção sobre política norte-americana. Na próxima semana, eles planejam exibir livros que apoiam uma iniciativa da universidade sobre igualdade racial.
  • Capturando os humores da comunidade, uma biblioteca pública de Washington DC montou um display sobre protesto e ativismo destacando as citações de Martin Luther King, Jr., "Em algum lugar eu li que a grandeza da América é o direito de protestar pelos direitos".
  • O departamento de Serviços da Juventude da Princeton Public Library montou uma exposição de livros de fotos multiculturais e livros sobre a bondade.

Uma foto publicada por Princeton Public Library NJ (@princetonpl) em

Se você está procurando opções sobre os temas união e paz, confira a Associação de Serviços de Bibliotecas para Crianças (ALSC) 's "Lista de livros sobre união, paz e bondade".
Qualquer que seja o tema que você escolher, preste atenção para as capas de livros.

"Representatividade importa", disse o co-fundador e editor Erinn Batykefer da Library as Incubator Project"Um expositor de livros que promove a inclusão e celebra muitas pessoas - queer, muçulmanos, afro-americanos, asiáticos, latinos, etc, e mostra-os nas capas, pode ser a coisa mais reconfortante e necessária para as pessoas em sua comunidade possam ver. Elas lembram que são importantes, são bem vindas e respeitadas no espaço da biblioteca".

Dizer para as pessoas que a biblioteca é um local seguro
Outra maneira de fazer as pessoas verem a biblioteca como um espaço seguro é dizer-lhes que ela é um local seguro. Quando a cidade de Ferguson no Misssouri explodiu em protestos após a morte de Michael Brown, um adolescente negro que estava desarmado e foi morto pela polícia em 2014, a biblioteca pública local fez um grande trabalho para mostrar aos residentes que era um porto seguro. Leia a matéria que fizemos sobre a biblioteca de Ferguson. O diretor da biblioteca Scott Bonner colou uma cartaz aparentemente simples na biblioteca: "Durante tempos difíceis, a biblioteca é um oásis de tranquilidade onde podemos recuperar o fôlego, aprender e pensar sobre o que fazer a seguir. Por favor, ajude a manter nosso oásis calmo e sereno ". Scott Bonner compartilhou um sentimento similar quando as tensões aumentaram esta semana. 

"Em tempos de incerteza e dúvida, precisamos de conhecimento e compreensão. O que as bibliotecas oferecem? Conhecimento e compreensão. Tempo para aprender". (Scott Bonner, Ferguson Municipal Public Library)


Montar um mural de post-it para que as pessoas possam expressar seus sentimentos 
Você pode ter lido que os nova-iorquinos estão compartilhando seus sentimentos pós-eleitorais na parede da passagem subterrânea do metrô na Sexta Avenida. A instalação de arte, chamada Subway Therapy (Terapia do Metrô), já tem mais de 1.500 mensagens.

A Biblioteca Pública de Princeton criou a sua própria parede. Para fazer a ação, tudo o que precisa é de alguns post-its e um espaço da parede em branco. Como sempre, não se esqueça de monitorar a parede para as notas que não estão no espírito certo.

Lembrar as pessoas que elas importam
Kyna Stys, adolescente associada à William F. Laman Public Library em North Little Rock, no Arkansas, criou esses posters destacáveis para pendurar no setor adolescente da biblioteca no verão passado, mas ela pendurou os posters novamente esta semana. Desde que ela pendurou os cartazes há 2 dias, ela precisou pendurar mais 5 novas folhas dos posters para a comunidade leitora.


"A maioria dos adolescentes timidamente pegou um guia, alguns perguntaram se eles poderiam pegar um, e alguns nos agradeceram", disse Stys. "Não houve nenhuma excitação ou altas exclamações como outros cartazes que nós temos. Eu sinto que isso era algo que eles precisavam, mas ainda não estão prontos para admitir que precisam".
Stys incentiva outras bibliotecas para imprimir e pendurar o cartaz; você pode baixá-lo aqui .


Bibliotecas Contra o Ódio - Uma reflexão sobre o papel das bibliotecas em nossa época


Um dos textos do livro Bibliotecas Mudam o Mundo recém lançado pela editora Magnolia Cartonera, chama-se 'Bibliotecas Contra o Ódio', é uma reflexão sobre o papel das bibliotecas em nossa época, em que os discursos de ódio estão cada vez mais fortes e presentes de forma normalizada no dia a dia.
Para esse texto fomos em busca de exemplos práticos de bibliotecas ao redor do mundo que estão combatendo, nesse momento de nossa História, os atos de intolerância e os discursos de ódio com ações, programações e iniciativas voltadas para educar, conscientizar e combater os preconceitos.
É crescente e relevante o número de bibliotecas mundiais que estão mais cientes e comprometidas com suas comunidades leitoras em aprofundar seu papel como espaços de refúgio contra o ódio, de se consolidar como locais seguros para todas as pessoas, e que se levantam em defesa da diversidade.

Com informações do site Programming Librarian 
Tradução: Daniele Carneiro e Juliano Rocha - Bibliotecas do Brasil

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