Como estudar em uma cidade com tanta poluição sonora?

31.3.13


Desde janeiro de 2011 eu só consigo dormir usando protetores auriculares. Eles também se tornaram indispensáveis para que a noite de estudos seja possível. A segunda mudança necessária em casa foi mudar as cortinas para um tecido bem grosso. Com cortinas grossas o som não atravessa a janela tão facilmente. Mas é só um paliativo.
Como o teto não é de alvenaria, sobre o forro foram colocadas caixas de ovos e caixas de papelão para conter a entrada do ruído da rua. Mas contra sons muito potentes, que não por acaso circulam por aí o dia inteiro, a casa antiguinha, construída no início dos anos 80 não tem como suportar os decibéis de tantos carros tunados (com som automotivo potencializado para fazer muito barulho ou ostentando paredões de som), ônibus e caminhões com motores totalmente desregulados, motos com escapes abertos, alarmes de lojas disparados por horas a fio, o carro do sonho (que se modernizou e agora também é tunado), os maus hábitos dos vizinhos por som altos e horários pouco aprazíveis e assim por diante.
Para conseguirmos estudar e ler a carga alta de textos que preciso no curso de Licenciatura em História e Licenciatura em Artes, as soluções imediatas que encontramos foram essas...

Compramos fones de ouvido potentes. No mercado já existem alguns fones com a incrível tecnologia de abafar os ruídos externos, mas são bem caros. Dependendo do barulho externo eles não conseguem segurar toda a barulheira, mas já é uma forma de combater o incômodo.


Para estudar fazemos um mix de protetor auricular e fones de ouvido: eu coloco os protetores auriculares para abafar todo o tipo de poluição sonora da rua, e por cima deles coloco o fone de ouvido com sons da natureza e minhas músicas favoritas pois só assim consigo estudar.


Estudar em bibliotecas públicas ou abertas ao público: e torcer para que não aconteça como aqui em Curitiba, onde várias lojas não tem o menor respeito pela Biblioteca Pública do Paraná e colocam equipamentos de som nas ruas localizadas nos arredores da biblioteca para anunciar as ofertas na porta ou na calçada, não dando a mínima para quem quer e precisa estudar, ler e aprender.

Estudar em livrarias e cafés: procure lugares tranquilos para estudar, muitos cafés e lanchonetes disponibilizam wi-fi e você pode realizar os seus trabalhos com tranquilidade. A não ser que more em Curitiba, onde as livrarias de shopping funcionam com aparelhos de som e TVs ligados em volumes desnorteantes, e aumentam o som ambiente quando percebem que os clientes estão lendo sossegados.


O que dá para fazer oficialmente contra a poluição sonora (ou o que a gente pensa que sabe que é possível fazer)....

Entrar em contato com os órgãos fiscalizadores do município (secretarias municipais, secretarias de estado de meio ambiente) através de telefone ou email para se informar sobre que caminho fazer para conseguir orientações, saber quais procedimentos seguir, informar-se sobre medições e controle da poluição sonora, sobre o que eles podem fazer para promover diálogos e conciliações com vizinhanças barulhentas, etc. 
Cobre dos órgãos responsáveis campanhas de conscientização para combater e atenuar a poluição sonora. E prepare-se para se aborrecer, porque talvez esses serviços ainda não existam na sua cidade. Algumas cidades do Brasil já estão combatendo a poluição sonora de forma eficiente, outras ainda nem começaram e nem admitem que o problema existe.


Publicar mensagens no Facebook do(a) prefeito(a) e vereadores, cobrar atuação dos representantes em quem você votou, torcer para que as mensagens não sejam deletadas, e pedir encarecidamente para que a poluição sonora comece a ser combatida na cidade, no bairro e nas comunidades. Nesse relato é possível ter uma ideia do que acontece com os moradores de Curitiba que sofrem com a poluição sonora gerada por estabelecimentos comerciais. É um verdadeiro filme de terror.

O que nunca deve ser feito: Jamais - preste atenção nisso - jamais tente conversar ou entrar em acordo com a pessoa que está ocasionando o barulho, seja qual ele for. Eu vejo muitas vezes em textos e artigos sobre poluição sonora a recomendação pelo caminho do diálogo com os poluidores sonoros. Mas por experiência própria sabemos que esse pode ser o pior caminho a ser seguido.
Como a pessoa que está gerando a poluição sonora é tão pagadora de impostos quanto você, e é também uma cidadã, pode achar que é válido ouvir o som alto no horário que bem entende, usar a vap na calçada ou o cortador de grama às 7 horas da manhã de um domingo, porque paga as contas, porque está no seu dia de folga, e porque se aquele som não está incomodando ela, com certeza não está incomodando mais ninguém, mesmo que você afirme o contrário.
Essa pessoa pode partir para uma atitude totalmente anti-cidadã e anti-pagadora de contas. Uma alternativa é que você pode fazer um boletim de ocorrência relatando os problemas. Em caso de estabelecimentos comerciais é possível fazer um protocolo na prefeitura, indicando os horários e os dias que a poluição sonora acontece. Ou fazer um boletim de ocorrência em uma delegacia por perturbação do sossego, ou um termo circunstanciado, e prepare-se para aguentar muita dor de cabeça. Enquanto houver omissão das prefeituras e órgãos que deveriam fiscalizar e multar, é bastante difícil lutar contra a poluição sonora - o que não deveria ser!

Matérias interessantes sobre poluição sonora em Curitiba e no Brasil:


Que tipo de barulho mais lhe incomoda? Enquete com relatos estarrecedores de casos de poluição sonora na cidade de Curitiba sem solução ou expectativas de que a situação seja melhorada. Percebe-se que ainda falta muita informação por parte dos órgãos fiscalizadores em esclarecer para a população a que lugares deve-se pedir ajuda para amenizar a situação ou denunciar casos de poluição sonora. Há muito empurra-empurra entre órgãos e autoridades sobre quem é o verdadeiro responsável na hora de autuar, orientar e/ou aplicar multas relacionadas à poluição sonora.

Leia mais:

Imagens: 1.Troy G Larson 2. Engaget 3. Ubergizmo 4. Outros Temas 5. Protetor de silicone
Artigo atualizado em 23/03/2016.

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