Bibliotecárias feministas

19.6.17


Através do email do blog Bibliotecas do Brasil recebemos alguns comentários de mulheres que trabalham em bibliotecas nas mais variadas atividades, são bibliotecárias, pedagogas, estagiárias, professoras, auxiliares e atendentes, relatando sobre a impossibilidade de organizar programações ou eventos LGBTQ, e quaisquer atividades dedicadas ao empoderamento das mulheres por causa do machismo presente entre funcionários ou homens em cargos superiores. 

Algumas profissionais de bibliotecas e espaços de leitura nos contam que sequer podem sugerir que atividades voltadas para o empoderamento de mulheres ou voltadas para o público LGBT sejam feitas, porque estão inseridas em um ambiente onde os profissionais que vetam essas iniciativas são machistas, racistas, homofóbicos e hostis à essas possibilidades. Isso é horrível e bastante escandaloso que aconteça em bibliotecas públicas e universitárias, e são casos que precisam ser denunciados. Essa situação é desanimadora para qualquer mulher que trabalhe em bibliotecas e espaços de leitura, e o resultado disso é a total falta de perspectivas no futuro de várias carreiras que muitas vezes, ainda estão batalhando na graduação para conquistar. As mulheres sofrem com o machismo em todas as áreas de atuação, e enfrentam inúmeras limitações na profissão por causa de colegas de trabalho que perpetuam o machismo e demais atitudes discriminatórias. 

Temos que repensar como as funcionárias e trabalhadoras de bibliotecas e espaços de leitura são tratadas


Por sugestão das leitoras do blog Bibliotecas do Brasil, reunimos na edição #4 da Magnolia Zine (nossa publicação de incentivo à leitura) dicas com propostas de engajamento, luta e busca para soluções dos problemas que as mulheres e pessoas LGBTQ (lésbicas, gays, bissexuais, transgêneras e queers) que trabalham em bibliotecas e espaços de leitura enfrentam diariamente. Busquei também em minhas próprias experiências de trabalho, situações de machismo e opressão que enfrentei nos empregos que tive, e que poderiam ter um desfecho diferente se já tivesse conhecido o feminismo na época. Esse tutorial foi desenvolvido e escrito especialmente para as mulheres que estão em locais de leitura, e que enfrentam diariamente o machismo, com algumas ideias para buscar apoio profissional e emocional e encontrar soluções. 


É perturbador receber relatos de mulheres que estão encontrando dificuldades em ter suas ideias e criatividade valorizadas dentro do seu ambiente de trabalho em bibliotecas e espaços de leitura. Temos que mover esforços para que suas vozes passem a ser ouvidas, valorizadas e honradas, e que suas ideias sejam colocadas em prática nas bibliotecas. 
As bibliotecas e espaços de leitura precisam promover a inclusão e a diversidade para a comunidade leitora e também para suas funcionárias e trabalhadoras. Qualquer esforço por parte das bibliotecas para combater o machismo, a lesbofobia, a homofobia, a transfobia, a bifobia e todas as discriminações baseadas na identidade de gênero e orientação sexual, é vital para as mulheres e população LGBTQ. 
Seja você bibliotecária, professora, pedagoga, auxiliar, funcionária terceirizada, estagiária, voluntária ou leitora que frequenta uma biblioteca, e está passando por um momento desanimador por causa do machismo, nosso tutorial irá te ajudar a ter inspiração, recuperar suas expectativas e forças para continuar a seguir em frente em seu trabalho e colocar suas ideias em prática.  



Leia uma prévia de cada um dos temas dessa edição:





Combate ao machismo nas bibliotecas

Qualquer esforço por parte das bibliotecas em benefício das mulheres e da população LGBTQ é vital para promover a inclusão e a diversidade, além de ser um ato de resistência contra o machismo, contra a misoginia e o ódio. Se você trabalha em uma biblioteca que se preocupa em conscientizar os próprios funcionários e trabalhadores sobre não praticar atos machistas contra as funcionárias e frequentadoras dos espaços de leitura, entre em contato conosco pelo email contato@bibliotecasdobrasil.com e conte suas experiências e ações.  

Texto: Daniele Carneiro - Bibliotecas do Brasil | Magnolia Cartonera
Ilustrações: Juliano Rocha
Foto: Daniele Carneiro
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