Maria Alice Cartonera - a editora artesanal criada por uma professora

12.10.18


A Francisca Ferreira é professora orientadora em sala de aula e em sala de leitura, mãe do Felipe e idealizadora da página Leituras e Leiturinhas, que visa o incentivo à leitura por meio de divulgação de bons livros, desafios e projetos literários. 

Conhecemos a Francisca através de sua página no Instagram, a História Nossa de Cada Livro, e acompanhamos suas publicações, que têm maravilhosas dicas de leitura com livros inclusivos, voltados para a diversidade humana e são muito bonitos. Recentemente, ela deu um novo passo em sua jornada como educadora e montou a iniciativa Maria Alice Cartonera. 


Entramos em contato com a Francisca para saber sobre essa deliciosa combinação de arte cartonera com educação e sala de aula. Para relembrar o que é uma cartonera, é uma das formas de definir a prática de publicar livros artesanais (as cartoneras) confeccionados com capas de papelão. Essa prática artesanal teve seu início na Argentina no começo dos anos 2000 e tem com constância se espalhado pela América Latina e outros cantos do mundo. Ao longo desses anos, temos visto surgir muitas autoras, autores, artistas e poetas cartoneras(os), todos realizando suas publicações envolvendo a reciclagem do papelão e a sustentabilidade. Inclusive temos encontrado muitas pessoas que estão trabalhando com papelão, com esculturas com papelão, com quadros em alto relevo de papelão e que sequer têm notícia do movimento cartonero surgido na Argentina. Mexer com papelão é instintivo e fazer artesanato é uma arte natural à humanidade.

Francisca contou aqui para o blog Bibliotecas do Brasil como começou seu interesse pelos livros cartoneros.

Pintura com bolinhas de gude - A criatividade floresce na Oficina Cartonera da Professora Francisca
"A ideia começou a surgir em janeiro de 2018, depois que participei de uma oficina com o Vinícius, da Flora Cartonera (@minimodiario). Ele me apresentou os livros cartoneros produzidos por ele de uma forma muito especial. O que mais me chamou a atenção foi a possibilidade de produzir capas únicas e trabalhar com o erro, ou seja, o que, aparentemente, é um erro pode tornar-se algo lindo. 'Aceite o erro', foi a frase que ficou na minha cabeça, exatamente o que penso sobre o processo educativo, o qual podemos entender como um movimento de acertos e erros. Não tinha como não ficar encantada. Depois disso, comecei a pesquisar e encontrei a sua editora (Magnolia Cartonera) e muitas outras". 
"Nossos momentos de pintura com materiais não estruturados: uma forma de criar com um recurso chamado imaginação. Experimentamos a pintura com bolinha de gude, mãos, dedos, tampinha de garrafa, esponja de lavar louça, barbante, dentre outros. Podemos dizer que essa foi a primeira etapa da "Oficina Unir Páginas, Costurar Palavras - Livro Cartonero". Alguém duvida que foi a parte mais divertida?"


Pesquisa
"O trabalho está em andamento, começou com a pesquisa sobre o livro cartonero, em seguida, realizamos experimentos com papelão e tinta. Passamos pela etapa de ler livros cartoneros, os da Magnolia Cartonera foram os primeiros".


Alunas e alunos criando arte na "Oficina Unir Páginas, Costurar Palavras - Livro Cartonero" da Professora Francisca



Oficinas
"Logo depois, preparei algumas oficinas com o objetivo de produzir capas para compor uma coletânea de poemas dos alunos do fundamental II. O trabalho foi dividido, uma turma confeccionou as capas e a outra produziu os poemas.
A experiência está sendo realizada com alunos entre 9 e 13 anos, muito positiva, pois agrega valor à produção deles e possibilita o trabalho com diferentes artes (literatura, costura e pintura). Além de incentivar a autoria, desmistifica a figura do escritor, afinal, com a facilidade da publicação independente, todos podem escrever e publicar.
Depois dos primeiros passos, surgiram várias ideias, uma delas é continuar publicando os poemas dos alunos, proporcionar a escrita de contos individuais e coletivos para publicação. Os livros farão parte apenas do acervo da nossa sala de leitura, mas já produzimos alguns para presentear".   


No Instagram, Francisca escreveu:
"Livro cartonero tornou-se uma paixão, estou encantada com a possibilidade de criá-los".

Essa é a Francisca, professora cartonera

Nosso projeto de produção de Livro Cartonero nasceu. 😍 Nos meses de agosto e setembro pesquisamos muito sobre editoras independentes que produzem livro cartonero. Ouvimos poesia, conhecemos livros de diferentes formatos, criamos nossa história coletiva e inventamos nosso passaporte do leitor. Foram momentos de muita arte em papelão. Também praticamos o desapego, pois a cada capa produzida precisávamos desapegar, pois seriam para compor livros com poesias de alunos do fundamental II, alguns seriam dados de presente no nosso Sarau/Slam e outros ficariam para compor o acervo da sala de leitura. Uma etapa importante foi a costura com agulha de verdade. Até o último minuto eles não acreditavam que eu deixaria a agulha nas mãos deles. Agora temos uma Editora Cartonera que por enquanto chama-se Maria Alice Cartonera 😍. Nosso catálogo já e composto por livros de poesia dos alunos de 2016/2018 e passaporte do leitor, em breve, teremos contos ilustrados individuais e coletivos. Que delícia brincar de editora. Brincadeira séria! 😁


Acompanhe o trabalho da Professora Francisca pela internet:
Blog: Leituras e Leiturinhas

Matéria: Daniele Carneiro - Magnolia Cartonera e Bibliotecas do Brasil
Fotos: Francisca Ferreira

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