#leiamulheres em Curitiba

1.8.15

#readwomen iniciativa da autora Joanna Walsh
Em 2014 a escritora Joanna Walsh começou a publicar a hashtag #readwomen2014 – #leiamulheres2014 – no Twitter junto com alguns Cartes de Voeux (cartões de saudação) que ela fez em formato de marcadores de página para livros, criando uma ligação entre a tradição francesa de enviar cartões de feliz ano-novo com a palavra ‘Voeux’ que significa meus cumprimentos e também uma ‘resolução’.

Como a própria autora contou em seu blog: "Eu segui alguns projetos recentes nos quais leitoras e leitores faziam resoluções de gastar um período de tempo lendo livros exclusivamente escritos por mulheres. Eu fiz os cartões como uma forma de apoio e encorajamento, e tuitei eles, porque a maioria das minhas colegas estão no Twitter, e eu sou tão ruim em lembrar endereços, que essa seria a melhor maneira para entrar em contato com quem eu queria enviar os cartões. Algumas pessoas pediram que eu tuitasse os quase 250 nomes de escritoras mulheres impressos no verso dos cartões".
Foto de Joanna Walsh
Segundo a autora Joanna, a pessoa não tem que ler livros exclusivamente escritos por mulheres ao longo do ano, mas esse é um convite para que olhemos para nossas estantes e façamos uma contagem em busca de escritoras. Se você encontrar um desequilíbrio, considere que você pode ter sido vítima de desigualdade, perdendo boa escrita por causa de uma sobrecapa equivocadamente cor de rosa.
Imagem do site Books and Reviews
No Brasil o ‘Leia Mulheres’ surgiu da mesma indagação e proposta de Joanna Walsh em 2014 e ganhou força através de iniciativas organizadas no Rio de Janeiro e em São Paulo em encontros para conversar sobre literatura. Emanuela Siqueira, livreira e idealizadora da Igreja do Livro Transformador conversou com o blog Bibliotecas do Brasil para nos contar mais sobre a iniciativa Leia Mulheres que se concretizou em Curitiba e já teve três encontros para discutir literatura escrita por mulheres:

"Se fizermos uma lista mental rápida, quantas mulheres iremos enumerar entre 10 escritores fantásticos? Poucas, né? Alguns dos prêmios mais importantes do mundo como o Booker Prize e mesmo o Nobel de Literatura têm premiado mulheres nos últimos anos. Então, aproveitando esses novos movimentos feministas e uma forma de lançar um olhar crítico sobre a literatura feita por mulheres - afinal, como elas se legitimam na literatura? Só escrevem chick-lit? Seus livros se resumem à apenas assuntos femininos? O Leia Mulheres surgiu da mesma indagação e proposta da Joana Walsh ano passado e ganhou corpo no Brasil através da iniciativa das meninas de São Paulo de transformar os encontros em encontros físicos. Fazia tempo que o pessoal falava sobre esse retorno de Clubes de Leitura".

Para Emanuela existem dois textos fundamentais para se iniciar essa leitura sobre escritoras mulheres: "Um é um livrinho bem curtinho lançado em 2012 chamado Profissões para mulheres e outros artigos feministas com palestras e textos da Virginia Woolf e outro dela, o clássico Um teto todo seu. Ela foi fundamental em falar sobre a literatura feita por mulheres no início do século XX. Nesse segundo livro ela lança olhar ao passado, ao presente dela e se pergunta se no futuro - hoje, no caso - as mulheres se sentiriam mais libertas para escrever, e é baseada nesse questionamento que quero me focar em ler mulheres alternando entre passado e presente. Eu também li Katherine Mansfield, contemporânea e inclusive conviveu com a Virginia Woolf, mas incrível notar como elas eram revolucionárias de forma bem diferente".

O primeiro encontro Leia Mulheres em Curitiba aconteceu no dia 21 de maio e o livro escolhido foi Mrs. Dalloway de Virginia Woolf. No segundo encontro o livro comentado foi Frankenstein de Mary Shelley e no próximo o livro escolhido foi Nossa Senhora D'aqui de Luci Collin.

Foto: Emanuela Siqueira

Emanuela contou ao blog Bibliotecas do Brasil: "Escolhemos os livros conforme o grupo que participa, prestando atenção nas ansiedades e discussões. O primeiro foi o Mrs. Dalloway da Virginia Woolf, a discussão foi tão bacana que optamos em voltar para o século XIX e ler a Mary Shelley para explorar um pouco de onde vinha a Virginia. Em agosto queremos ler algo contemporâneo, vamos ler a Luci Colin que é de Curitiba e uma ótima escritora. Então não temos muito padrão, a discussão anda e vamos sentindo vontade de ir mais além. A gente acaba caindo em discussões feministas porque é quase impossível não discutir as situações de criação. Acho que o projeto é importante em qualquer lugar que existam leitores assíduos, gente que ame ler de tudo. Muita gente lê muito mas nem percebe que só lê homens, sem querer mesmo. Estou acompanhando a FLIP e os papos sempre caem numa coisa masculina. Discutir a Mary Shelley foi colocar ela em um lugar inexplicável porque ela basicamente inventou tudo que temos de ficção científica relacionada à criaturas versus criadores, mutação genética e afins há 200 anos. É preciso ler mulheres para perceber que elas sempre estiveram ali fazendo coisas tão incríveis quanto o cânone masculino só que eram omitidas por enésimas questões. Pois então, vamos ler elas".

Próximo #leiamulheres em Curitiba

A 3ª edição do encontro Leia Mulheres em Curitiba será no dia 06 de agosto de 2015. O livro do encontro é Nossa Senhora D'Aqui de Luci Collin. Essa edição contará com a presença da autora. Confira mais informações no link do evento criado no Facebook. O movimento Leia Mulheres tem uma página no Facebook para quem quiser curtir a companhar os próximos encontros no Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba.

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