Pela extinção da buzina!

12.4.13

A buzina deveria ser banida dos carros e dos automóveis pois já demonstramos a incapacidade e a falta de civilidade suficiente para usá-la. Obviamente, não tenho estatísticas exatas, mas de todas as vezes que ouço uma buzina ser usada, estimo que apenas uns 5% são em uma ocasião e de modo adequados. Estou sendo otimista.


Há pouco, um motorista que chegava a seu escritório deixou um espaço para um pedestre passar entre o parachoque e o portão. Com isso, parte da traseira de seu automóvel ficou ainda na pista. O condutor que vinha atrás, com isso, meteu a mão na buzina. Dois segundos (2 segundos) depois, o primeiro "finalmente" cedeu a passagem, já que pedestre tinha seguido adiante. E, só então, o motorista de trás pode andar 5 metros para encontrar o próximo carro e ficar parado, já que o trânsito estava congestionado.

Ela se transformou no instrumento musical da canção diária das frustrações mais mesquinhas de boa parte dos motoristas. A duração da nota dá a dimensão da frustração e o grau de mesquinharia costuma ser inversamente proporcional a ela.

Qualquer contrariedade de trânsito é tomada como pessoal pelos motoristas. Mimados pela publicidade de automóveis - que só mostram ruas desobstruídas -, crentes de que o carro é uma extensão de si mesmos e esquecidos de que a carteira de habilitação é apenas uma conseção para colocar um objeto metálico de toneladas em um lugar que pertence a todas as pessoas (motorizadas ou não), ao menor sinal de que sua vontade de se locomover como bem entende, o motorista a usa: a buzina.


A buzina mal usada estressa e distrai os outros motoristas e perturba as pessoas que nada tem a ver com os problemas mal resolvidos daquele indivíduo, contribuindo para o mau humor no trânsito e, consequentemente, para sua má-qualidade, para os acidentes e para a violência.

Certamente, o motorista que utiliza a buzina por achar que está com a razão e para proclamá-la a todos os circunstantes num perímetro de 100 metros, que contribui para um clima hostil nas ruas, é mais prejudicial ao tráfego que o motorista barbeiro.

Eu tenho o mau hábito de olhar para a pessoa que buzina, não como provocação, mas para ver o seu rosto. Meio porque eu tenho a esperança de ver um gorila atrás do volante e não um ser humano comum como eu ou você. Foi o que fiz com esse sujeito da história acima: olhei de forma neutra a tentar encontrar nela o que há de mais humano em nós.


E, de fato, era uma pessoa comum. Não era um crocodilo ou um dinossauro ou um rinoceronte. Continuei o meu passo e, quando o carro me alcançou (os carros andam mais devagar que os pedestres muitas vezes), o sujeito passou dizendo coisas para mim que, a julgar pela cara dele enquanto as dizia, lhe fizeram muito mal.

Minha proposta é a seguinte. A partir de agora, os carros deveriam vir sem buzina. Não sabemos usá-las. Outra possibilidade é fazer com que a buzina seja algo que se gaste e custe muito caro para recarregá-la. Assim, todos seriam cuidadosos e econômicos na hora de usá-la. No entanto, o artigo de luxo, no trânsito, hoje, ao que parece, é a educação. Todos a usam apenas de vez em quando e comedidamente.

Texto de Alessandro Martins, criador do blog Livros & Afins
Fotos: 1, 2, 3.

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